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Lula: 'melhorar a vida das pessoas é distribuir riqueza. Isso se chama investimento'

"Se eu tiver de gastar para ter um ativo que aumente o patrimônio do país, qual o problema?", questionou o presidente ao criticar o debate sobre 'déficit fiscal'

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

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Agência Gov - Inflação controlada, taxa de juros em queda, aumento na geração de empregos, na renda dos trabalhadores e nos investimentos, internos e externos. Durante o programa especial Bom Dia, Presidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço das ações do governo na área econômica.

Lula lembrou dos investimentos feitos no Brasil recentemente e os impactos na geração de empregos. “O Brasil foi o segundo país do mundo a receber investimento direto no ano passado. Então as coisas estão acontecendo no Brasil, a inflação está caindo, o salário mínimo está aumentando, a renda das pessoas está crescendo, o consumo voltou a crescer, e o emprego voltou a crescer”, lembrou o presidente.

"A economia está indo bem. A inflação está controlada, a taxa de jutos eu espero que continue caindo. Os investimentos estão acontecendo. Fazia dezenas de anos que a gente não ouvia o anúncio que foi feito pela indústria automobilística: 129 bilhões de investimentos, a maioria até 2028", afirmou o presidente

Em março deste ano, o Brasil registrou um saldo positivo de 244 mil postos formais de trabalho, o segundo melhor resultado da série histórica desde 2002. Nos últimos 15 meses, foram criados 2,2 milhões de empregos com carteira assinada. O país tem hoje 46 milhões de pessoas atuando em vagas formais, maior número já registrado na história.

A massa de rendimento dos trabalhadores, que é a soma dos rendimentos de toda a população ocupada no país, aumentou 6,6% em um ano e atingiu novo recorde da série histórica iniciada em 2012. Entre janeiro e março deste ano, o ganho médio da população ocupada foi de R$ 3.123, segundo o IBGE.

Novo PAC - O presidente lembrou dos investimentos que vão ser realizados em todo o país por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). “O PAC tem R$ 1,7 trilhão de investimentos, R$ 1,7 trilhão de investimentos entre o Governo Federal, iniciativa privada e financiamento. Então, nós vamos fazer esse país acontecer”, afirmou.

Crédito - Lula falou sobre o Programa Acredita, lançado no final de abril, que vai ofertar microcrédito para pessoas inscritas no Cadastro Único, em uma iniciativa que terá taxas abaixo das praticadas pelo mercado e com foco especial para crédito aos Microempreendedores Individuais (MEIs) e atenção às mulheres, além de ações voltadas para o mercado imobiliário e que ajudem a captar investimentos estrangeiros em projetos ambientais e sustentáveis. Segundo o presidente, ações que vão impulsionar ainda mais o crescimento da economia brasileira.

“Nunca antes na história do Brasil foi anunciado uma política de crédito com a magnitude que nós anunciamos. É crédito para o pequeno e médio catador de material reciclável, é crédito que atinge a empregada doméstica. E estamos abrindo crédito para as pessoas de classe média que querem comprar uma casa maior, porque nós vamos fazer crédito para a construção civil, e acho que vai ser uma coisa extraordinária", celebra Lula.

"E nós abrimos crédito para os pequenos e médios empreendedores individuais neste país”, completou o presidente, citando ainda a parceria com deputados e senadores para a aprovação da reforma tributária

O presidente mencionou também a política permanente de valorização do salário mínimo, que considera a cada ano a variação da inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Além disso, afirmou que o incremento do Bolsa Família vai ser constante para ajudar a combater a fome no país.

"Eu tenho um compromisso programático de reduzir, de zerar o pagamento de imposto de renda para as pessoas que ganham até R$ 5 mil, e vai acontecer antes do final do meu mandato; de aumentar o salário todo ano, e está acontecendo; de melhorar o Bolsa Família, que está acontecendo; e de acabar com a fome, o que está acontecendo", assinalou.

"E eu tenho dito: vocês têm o direito de cobrar, porque eu prometi. Porque normalmente, nos governos deste país, historicamente, o povo pobre não entrava no orçamento. Quando iam discutir o total de dinheiro que tem que gastar, o povo pobre não entrava. E agora entra. Agora nós queremos saber qual a parte do povo pobre. É por isso que tem muitos programas sociais, muitos programas para a juventude”, declarou, lembrando de programas na área da educação, como o Pé-de-Meia, e o anúncio da criação de 100 institutos federais de educação.

"Porque se não investir em escola hoje vai ter que investir em cadeia amanhã, e em mais polícia."

Desoneração - No bate-papo com radialistas de todo o país, o presidente falou sobre a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia, que está em discussão no Supremo Tribunal Federal. Lula afirmou que o governo está disposto a negociar. “O empresário quer reduzir o que ele paga. Ele vai transformar isso em empregos novos? Ele vai transformar isso em aumento do salário? Ele vai transformar isso em estabilidade? Desoneração, do jeito que eles querem, é só para aumentar o lucro. É isso o que eles querem. Nós queremos que tenha contrapartida. Esse negócio de dizer que é para manter emprego, ninguém garante que mantém emprego. Qual é o contrato que diz que ele vai garantir emprego? Quem é que diz que, na primeira crise, ele não manda gente embora? Não tem nada escrito. O que nós queremos é apenas seriedade dos empresários”, disse.

Responsabilidade fiscal - O presidente também abordou a questão das contas públicas. Para ele, é preciso separar o que é gasto do que é investimento. “Você tem que saber se você está gastando ou se você está investindo. A gente tem responsabilidade fiscal. Se o governo tiver que gastar dinheiro para fazer um ativo novo, alguma coisa nova, que aumente o patrimônio do país, qual é o problema? Nenhum. O que eu não posso ficar com o sistema financeiro todo santo dia só olhando o déficit fiscal e não olhando o déficit social. Olha as pessoas que estão desempregadas, que estão dormindo na rua, que estão passando fome. Pare de olhar só para o seu cofre. Pare de olhar só para a sua conta bancária. Olhe para o povo. Eu vejo muita notícia sobre déficit fiscal. É uma discussão inócua para um país sério”, explicou.

G20 e mudança sistema financeiro - Durante o programa, o presidente também abordou a presidência temporária do Brasil neste ano no G20, grupo das maiores economias do mundo. Lula explicou que o Brasil tem 3 objetivos: combate à fome, desigualdade e pobreza, mudar a representatividade na Organização das Nações Unidas (ONU) e mudar o sistema financeiro internacional. Sobre esse assunto, o Brasil vai defender que parte da dívida dos países com instituições financeiras internacionais, como Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, seja usada para investimentos em infraestrutura.

"Essas instituições financeiras não contribuem mais, porque elas não ajudam, elas sufocam. O continente africano está devendo 860 bilhões de dólares. A taxa de juros que eles pagam é muito alta. Não sobra dinheiro para pagar, nem dinheiro para investir. Minha tese é que essas instituições transformem essa dívida desses países que estão endividados em investimentos. Uma parte seja usada para investimento de infraestrutura nos países. Há uma certa sensibilidade em relação à realidade mundial. O mundo não pode ficar assim. É muita guerra, é muita luta, é muita discórdia, é muita fome. Eu sou favorável que a gente crie um novo mecanismo de financiamento”, explicou.

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