Lula oficializa primeira mulher como general do Exército
A medida oficializada pelo presidente marca avanço histórico na presença feminina nas Forças Armadas brasileiras
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a promoção da primeira mulher ao posto de general do Exército, consolidando um marco histórico na participação feminina nas Forças Armadas brasileiras. A medida eleva a então coronel médica Claudia Lima Gusmão Cacho ao cargo de general de brigada, posição que integra o topo da hierarquia militar.
As informações foram divulgadas originalmente pela Folha de S.Paulo, que destacou a publicação do ato em edição extra do Diário Oficial da União nesta terça-feira (31). A decisão atende a uma demanda do ministro da Defesa, José Múcio, e formaliza uma escolha feita pelo Alto Comando do Exército.
A promoção de Claudia Gusmão representa a primeira vez, em quase quatro séculos de história da instituição, que uma mulher alcança o generalato no Exército Brasileiro. A oficial havia sido indicada ao posto em fevereiro, após votação secreta entre os generais que compõem o comando superior da Força.
A cerimônia oficial de promoção está prevista para ocorrer em Brasília, quando a militar receberá a espada de general e o bastão de comando — símbolos exclusivos da autoridade dos oficiais-generais da ativa.
Além da promoção inédita, o ato assinado por Lula contempla a ascensão de outros militares: 17 coronéis passam a general de brigada, 11 generais de brigada sobem a general de divisão e dois generais de divisão são promovidos a general de Exército, integrando o Alto Comando.
Natural do Recife (PE), Claudia Gusmão tem 57 anos e construiu uma carreira de quase três décadas nas Forças Armadas. Médica pediatra, ingressou no Exército em 1996 como oficial temporária e consolidou sua trajetória após formação na Escola de Saúde do Exército.
A trajetória da militar se desenvolveu em um período de transformação na presença feminina dentro da instituição. As mulheres passaram a ingressar de forma mais ampla no Exército a partir dos anos 1990, mas durante anos enfrentaram limitações que impediam a ascensão aos postos mais altos da carreira.
Essa barreira começou a ser superada em 2012, quando foi autorizado o ingresso de mulheres nas áreas combatentes, abrindo caminho para promoções ao generalato. Desde então, a participação feminina tem crescido gradualmente nas Forças Armadas.
Dados recentes indicam que cerca de 13 mil mulheres atuavam no Exército em 2023, o equivalente a aproximadamente 6% do efetivo total. Em comparação, a presença feminina é maior na Marinha e na Aeronáutica, com 11% e 22%, respectivamente.
A promoção de Claudia Gusmão simboliza, portanto, uma mudança estrutural na instituição e reforça o avanço gradual da inclusão feminina em cargos de comando e liderança militar no Brasil.


