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Lula recebeu lista de brasileiros punidos por Trump antes de barrar assessor dos EUA

Presidente reage à suspensão de vistos de ministros do STF e integrantes do governo brasileiro pelos Estados Unidos

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu impedir a entrada no Brasil de Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após receber uma lista com autoridades brasileiras que tiveram o visto suspenso para entrar no território norte-americano. A medida foi adotada como reação às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos.

A informação foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, Lula tomou a decisão depois de analisar a relação de brasileiros afetados pela suspensão de vistos determinada pelo governo do presidente dos Estados Unidos.

Darren Beattie, ativista de ultradireita e nomeado como conselheiro sênior de política para o Brasil pelo governo norte-americano, vinha articulando uma viagem ao país. Próximo do deputado Eduardo Bolsonaro, ele manifestou interesse em visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão e buscava organizar reuniões com autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A intenção de acompanhar o processo eleitoral brasileiro foi interpretada pelo Itamaraty como uma possível ingerência externa em assuntos internos do país.

Beattie também já criticou publicamente o ministro do STF Alexandre de Moraes. Em declaração anterior, afirmou que o magistrado seria “o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, o que, por sua vez, tem restringido a liberdade de expressão nos EUA”.

Ao comentar a decisão de barrar o assessor norte-americano, Lula citou o caso do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que está entre os brasileiros atingidos pelas restrições impostas pelo governo norte-americano.

Na sexta-feira (13), durante a reinauguração do setor de trauma do Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, o presidente explicou a medida.

“Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar os vistos do meu ministro da Saúde, que está bloqueado”, afirmou Lula.

A lista de brasileiros afetados pela decisão do governo do presidente dos Estados Unidos inclui mais de duas dezenas de nomes ligados ao Judiciário e ao Executivo brasileiro.

Entre os atingidos estão os ministros do STF Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Edson Fachin. Também tiveram os vistos suspensos o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ex-presidente do STF Luís Roberto Barroso.

A relação inclui ainda o ex-juiz eleitoral Benedito Gonçalves, o juiz auxiliar do STF Airton Vieira e assessores ligados ao gabinete de Alexandre de Moraes.

No governo federal, além do ministro da Saúde, Alexandre Padilha — juntamente com sua esposa e filha — também aparecem na lista o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Júlio Tabosa Sales. O ex-procurador-geral da República José Levi também está entre os brasileiros afetados.

A decisão de Lula de barrar a entrada de Darren Beattie ocorreu após o governo brasileiro tomar conhecimento da dimensão das sanções impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.

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