HOME > Brasil

Ministério da Saúde descarta risco do vírus Nipah e mantém vigilância

Pasta afirma que não há indicação de ameaça ao Brasil após surto restrito na Índia

Um paciente, que segundo os médicos está sofrendo de infecção pelo vírus Nipah, é transferido para a UTI da ala de isolamento para Nipah no Hospital Universitário de Kozhikode, no distrito de Kozhikode, estado de Kerala, sul da Índia (Foto: REUTERS/CK Thanseer)

247 - O Ministério da Saúde informou, na sexta-feira (31), que não há risco para a população brasileira relacionado ao vírus Nipah, apesar do recente surto registrado na Índia. Segundo a pasta, o cenário atual não indica ameaça ao país, e as autoridades sanitárias seguem acompanhando a situação em articulação com organismos internacionais.

As informações constam de posicionamento oficial divulgado pelo ministério e publicado originalmente pelo Valor Econômico. De acordo com a nota, o episódio na Índia envolveu apenas dois casos confirmados, ambos entre profissionais de saúde, sem evidências de disseminação internacional.

“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, afirmou o Ministério da Saúde no comunicado.

A pasta destacou que o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos. Esse trabalho é realizado em conjunto com instituições de referência, como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS também avaliou como baixo o risco de propagação internacional do vírus Nipah e informou que não recomenda restrições a viagens ou ao comércio com a Índia após a confirmação dos casos. Ainda assim, o organismo classifica o patógeno como prioritário, devido ao seu potencial de desencadear epidemias.

Na Índia, o surto ocorreu no estado de Bengala Ocidental e levou à adoção de medidas de contenção, incluindo a quarentena de mais de 100 pessoas. A situação motivou países vizinhos a intensificarem controles sanitários em aeroportos, em ações semelhantes às adotadas durante a pandemia de covid-19.

Identificado pela primeira vez em 1998, o vírus Nipah provoca surtos esporádicos e chama a atenção pela alta taxa de letalidade, que pode chegar a 75% dos infectados. Não há tratamento específico nem vacina disponível. O vírus circula principalmente entre morcegos do gênero Pteropus, que se alimentam de frutas, podendo ser transmitido a humanos por alimentos contaminados, contato com animais infectados ou, em alguns casos, de pessoa para pessoa.

A infecção pode se manifestar de diferentes formas, desde sintomas respiratórios até encefalite, uma inflamação grave no cérebro que pode ser fatal. Apesar dessas características, as autoridades brasileiras reiteram que, no momento, não há indícios de risco para o país.

Artigos Relacionados