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"Não podemos deixar a BR e a Liquigás nas mãos da iniciativa privada", afirma Lula

Lula critica privatizações, defende controle estatal da BR e Liquigás e afirma que governo atuará para conter alta dos combustíveis e do gás

Presidente Lula e presidente da Petrobras, Magda Chambriard (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não se pode deixar a BR Distribuidora e a Liquigás sob controle da iniciativa privada, ao defender o fortalecimento da Petrobras e criticar processos de privatização no setor de energia, durante discurso em Salvador nesta quinta-feira (2).

As declarações foram feitas durante visita às obras de implantação do VLT na capital baiana, onde o presidente abordou temas como políticas de inclusão social, economia e o papel do Estado na regulação de preços de combustíveis e gás.

Lula destacou que os governos do PT priorizaram políticas sociais e ampliaram investimentos voltados à população de baixa renda. “Se vocês pegarem a história do Brasil e fizerem a conta das políticas de inclusão social, vão chegar à conclusão de que os governos do PT, sozinhos, fizeram mais do que todos os presidentes na história desse país”, afirmou.

O presidente também ressaltou que o Estado deve atuar principalmente em favor das camadas mais vulneráveis. “Só tem uma razão do Estado: governar para as pessoas que necessitam, que trabalham, mais humildes, de classe média baixa e que não tiveram sequer chance de estudar”, disse.

Ao abordar indicadores econômicos, Lula afirmou que o país registra resultados positivos em diferentes áreas. “A gente tem a menor inflação acumulada em quatro anos da história do Brasil, o menor desemprego, a maior massa salarial”, declarou, acrescentando que houve crescimento nas exportações e no número de estudantes.

O presidente também criticou o avanço de informações falsas no debate público e afirmou que haverá comparação entre diferentes governos. “Este é o ano em que a verdade vai disputar com a mentira. A mentira voa e a verdade engatinha”, disse.

No campo energético, Lula fez críticas diretas à privatização de ativos da Petrobras e defendeu a retomada do controle estatal. “O que aconteceu na Petrobras? A refinaria aqui na Bahia foi privatizada. Vamos outra vez fazer com que a Petrobras vire dona dela. Não é uma tarefa fácil”, afirmou.

Ele também reiterou a intenção de recuperar o controle sobre distribuidoras. “Eu defendo que a Petrobras volte a adquirir uma distribuidora. A gente não pode deixar a BR na mão da iniciativa privada, repassando preço que a Petrobras não aumentou”, disse.

Lula ainda mencionou a alta nos preços dos combustíveis, relacionando-a a fatores internacionais, e afirmou que o governo adotará medidas para conter impactos sobre a população. “Estamos, agora, numa briga séria contra o que está acontecendo no preço dos combustíveis por conta da guerra no Irã. Ninguém aqui pediu para o presidente Trump fazer guerra. Ele fez e o preço do diesel está chegando aqui”, declarou.

Sobre o gás de cozinha, o presidente criticou um leilão recente e prometeu intervenção. “É uma vergonha. Ontem fizeram um leilão contra a vontade do governo e da Petrobras. Foi um diretor que nem sei quem é que fez um leilão e aumentou em 100% o ágio. Aumentou o preço do gás. Nós não vamos deixar o preço do gás chegar em vocês, porque é da nossa responsabilidade. Vamos anular o leilão”, afirmou.

O presidente também relembrou a aquisição da Liquigás em seu primeiro mandato e criticou sua posterior venda. “Quando eu assumi em 2003 eu comprei a Liquigás, que era para a gente regular a distribuição de gás. Eles venderam”, disse.

Ao final, Lula reafirmou o compromisso do governo com a regulação do setor energético e a proteção do consumidor diante de oscilações de preços.

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