O governador que está na mira da PF
Relatório enviado ao STF cita conversas encontradas em celular apreendido
247 - A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigação contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), por suspeita de envolvimento em uma possível “troca de favores potencialmente criminosos” com o juiz federal Macário Júdice. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil nesta segunda-feira (2).
O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga suspeitas de vazamento de informações sigilosas envolvendo autoridades políticas e integrantes do Judiciário.
Pedido se baseia em mensagens apreendidas
Segundo a Polícia Federal, a solicitação de abertura de inquérito foi motivada por diálogos encontrados no telefone celular do magistrado, apreendido durante operação policial conduzida no Rio de Janeiro.
De acordo com o relatório, as conversas indicariam que o governador teria solicitado ao juiz intervenção em processos envolvendo aliados políticos, incluindo um prefeito investigado por improbidade administrativa. A PF sustenta que o pedido teria sido atendido pelo magistrado, o que levantou suspeitas sobre eventual favorecimento indevido.
O material integra investigação mais ampla que também envolve o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias.
Tramitação pode seguir no STJ
Caso o ministro Alexandre de Moraes autorize a abertura formal da investigação, o processo deverá ser remetido ao Superior Tribunal de Justiça, instância responsável por apurar eventuais crimes atribuídos a governadores em exercício.A análise inicial do STF servirá para avaliar se há elementos suficientes que justifiquem a instauração do inquérito criminal.
Governador nega irregularidades
Casagrande afirmou que não houve qualquer conduta ilegal e classificou o contato com o magistrado como parte da atuação institucional do cargo.
Segundo o governador, a conversa teve caráter administrativo e buscava apenas solucionar um impasse político local.Ele declarou que o diálogo foi “institucional e republicana” e teve como objetivo “agilizar a tramitação do processo para encerrar uma indefinição jurídica e política em que se encontrava o município naquele momento de período pré-eleitoral”.
Casagrande também ressaltou que “toda conversa foi realizada através de aplicativo de mensagens, pois não há nada sigiloso ou ilícito”, reiterando que está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.