"O mercado sempre vai querer outro candidato”, afirma Lula à TV 247
Presidente afirma que interesses financeiros divergem das políticas sociais
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que há um conflito permanente entre os interesses do mercado financeiro e as políticas de inclusão social defendidas por seu governo, destacando que sua atuação busca atender às demandas da população.
A declaração foi feita em entrevista à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), na qual Lula também abordou sua possível candidatura, o cenário econômico e medidas voltadas à população endividada.
Durante a entrevista, o presidente afirmou: “O mercado sempre vai querer outro candidato. O mercado não quer políticas de inclusão social. Ele quer política para pagar a taxa de juros deles. E eu quero fazer política de inclusão social. A gente vai ter sempre muita divergência”.
Lula também reforçou que sua eventual candidatura não depende de vontade pessoal, mas do contexto político. “Não se trata de querer um quarto mandato. As circunstâncias políticas e o momento eleitoral que você vive decidem”, disse, ao destacar o legado de seus governos e o compromisso com a democracia.
O presidente afirmou que sua atuação política é guiada pela realidade vivida pela população brasileira. “Se tem uma coisa que eu aprendi na vida é saber o sentimento do povo brasileiro. Eu converso com as pessoas para saber o seguinte: ‘como está sua vida? Seu salário? Como você gasta seu dinheiro?’”, declarou.
Segundo Lula, apesar do crescimento da massa salarial, o aumento das despesas tem pressionado o orçamento das famílias. Ele citou novos hábitos de consumo, como gastos com internet, comércio eletrônico e apostas online. “As pessoas gastam R$ 300 ou R$ 400 por mês com internet, com Mercado Livre, e agora tem as bets para assaltar o povo”, afirmou.
O presidente também anunciou que o governo prepara medidas para enfrentar o endividamento. “Nós sabemos dessa situação e estamos preparando um programa para resolver parte da dívida das pessoas, como já fizemos com o Desenrola. O Desenrola não atendeu todas as necessidades, mas agora queremos aperfeiçoar o programa”, disse.
Ao tratar das apostas online, Lula defendeu uma ação imediata do Estado. “Precisamos, efetivamente, tentar terminar com essa guerra de jogatina que está no Brasil. Temos que brigar ‘[para] ontem’. Não podemos deixar do jeito que está”, afirmou.
Ele também associou o tema ao combate ao crime organizado. “Tem muita lavagem de dinheiro nesse mundo. E se a gente quiser combater o crime organizado, a gente vai ter que atacar todos os flancos. Todos, sem distinção”, declarou, acrescentando que há irregularidades em diferentes setores: “Tem muita lavagem de dinheiro nas fintechs, nas bets”.


