HOME > Brasil

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção

A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades

Orgias de Vorcaro entram no radar da PF e investigação avalia se encontros se conectam a suspeitas de corrupção (Foto: Divulgação)

247 - A Polícia Federal passou a adotar um critério técnico — e não moral — para analisar um dos pontos mais sensíveis da investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e o banco Master: a realização de encontros sexuais com a presença de empresários, políticos e outras figuras públicas. As informações foram divulgadas pelo jornalista Guilherme Amado, em reportagem publicada neste domingo (15).

Segundo a apuração, os investigadores deixaram claro que a simples participação em orgias não configura crime e, isoladamente, não é motivo para abertura de inquérito. A conduta, por si só, não é objeto de persecução penal. O foco da PF está na eventual conexão desses encontros com práticas ilícitas sob investigação.

A existência das orgias já consta em relatório encaminhado ao ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso. No documento, a corporação afirma que as reuniões faziam parte de uma engrenagem mais ampla, classificada como um possível esquema sofisticado de corrupção. De acordo com o entendimento atual da PF, o tema só ganha relevância criminal quando os encontros se relacionam com outros fatos apurados no inquérito, como decisões administrativas suspeitas, favorecimentos indevidos, tráfico de influência ou corrupção. A linha divisória entre a esfera privada e o interesse público estaria justamente na eventual utilização desses eventos como instrumento para criar vínculos estratégicos.

Nos casos em que agentes públicos ou pessoas com poder decisório participaram de eventos custeados por Vorcaro, os investigadores analisam se houve uso de recursos financeiros, bens ou serviços como forma de aproximação e possível facilitação de ilícitos. 

A presença nesses ambientes pode servir, segundo a apuração, como indício de proximidade e intimidade entre o banqueiro e autoridades. Para a PF, os encontros não são tratados como fato isolado, mas como um possível ativo relacional utilizado para ampliar influência. 

Esse elemento é examinado em conjunto com transferências financeiras, contratos, troca de mensagens e demais provas reunidas no inquéritoA estratégia adotada pela corporação busca evitar interpretações de caráter moral sobre a vida privada dos envolvidos, concentrando a investigação em eventuais desvios de recursos ou práticas ilícitas. 

O avanço do caso dependerá da comprovação de vínculos concretos entre os encontros e atos administrativos ou decisões que possam ter beneficiado interesses privadosA apuração segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, enquanto a PF consolida provas e define se pedirá a abertura de novos inquéritos contra agentes públicos citados no relatório

Artigos Relacionados