PF indicia suplente de Alcolumbre em investigação que apura fraude no Dnit
Investigação aponta esquema de licitações fraudulentas em contratos da BR-156
247 - A Polícia Federal concluiu o inquérito que investiga suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Amapá e indiciou o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O ex-superintendente regional do órgão, Marcello Vieira Linhares, também foi indiciado.
Segundo a CNN Brasil, a investigação apontou que Breno Chaves Pinto e Marcello Vieira Linhares seriam integrantes de um esquema criminoso voltado ao direcionamento de contratos públicos ligados à manutenção e recuperação da rodovia BR-156, no Amapá.
PF aponta esquema milionário no Dnit
O inquérito enviado à Justiça Federal na quarta-feira (20) aponta que a organização criminosa teria fraudado pelo menos quatro pregões eletrônicos, somando mais de R$ 60 milhões em contratos custeados com recursos federais.
De acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), o grupo atuava por meio da simulação de concorrência em licitações, com apresentação de propostas fictícias e inclusão de cláusulas restritivas nos editais para favorecer determinadas empresas.
A investigação também identificou indícios de omissão de servidores públicos responsáveis pela fiscalização dos contratos e pela abertura de processos administrativos diante das irregularidades apontadas.
Entre 2024 e 2025, as empresas investigadas receberam aproximadamente R$ 32 milhões da União para serviços de manutenção da infraestrutura rodoviária no estado.
Investigação cita influência política
Segundo a PF, Breno Chaves Pinto exerceria influência sobre a Superintendência Regional do Dnit no Amapá e teria utilizado suposta influência política para interferir em tratativas envolvendo contratos e liberação de recursos públicos.
Os investigadores afirmam ainda que mensagens encontradas nos celulares do empresário e do então superintendente do Dnit reforçam a suspeita de conluio com empresas vencedoras dos pregões.
O inquérito também cita um episódio em que Breno Chaves Pinto deixou uma agência bancária em Macapá após sacar R$ 350 mil em espécie e, posteriormente, entrou em um veículo ligado a primos de Davi Alcolumbre. O presidente do Senado, no entanto, não é investigado pela Polícia Federal.
Em nota, a assessoria de Alcolumbre afirmou que “o senador não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente, tampouco interfere na contratação de empresas ou em decisões administrativas do Dnit, que competem exclusivamente aos órgãos responsáveis”.
A nota também diz que “Davi Alcolumbre responde apenas pelos próprios atos, não tendo responsabilidade por alegações, conversas privadas, condutas atribuídas a terceiros ou supostas referências a seu nome, destituídas de prova de conduta indevida”.
Operação apreendeu armas e carros de luxo
A operação “Route 156”, deflagrada em julho do ano passado, cumpriu dez mandados de busca e apreensão nos estados do Amapá, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Amazonas. Na ocasião, Marcello Vieira Linhares foi afastado do comando regional do Dnit.
Durante as buscas em Nova Lima (MG), os agentes apreenderam três veículos da marca Porsche, além de joias, relógios de luxo e obras de arte. Em Macapá, a Polícia Federal também apreendeu três pistolas, um fuzil e cerca de 250 munições.
A CNN Brasil informou que tenta contato com as defesas de Breno Chaves Pinto e Marcello Vieira Linhares. Até o momento, os investigados não se manifestaram publicamente.



