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“PF mira engrenagens do crime financeiro”, diz Vinícius Casalino sobre caso Americanas

Jurista afirma que operações sobre fraudes financeiras podem mudar debate sobre segurança pública no Brasil

Unidade da Americanas em Brasília 27/06/2024 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
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247 - A nova fase da Operação Disclosure, da Polícia Federal, sobre a fraude bilionária nas Lojas Americanas, recolocou no centro do debate a atuação do mercado financeiro em grandes esquemas de criminalidade econômica. No Giro das Onze, da TV 247, o jurista Vinícius Casalino avaliou que a investigação pode representar uma mudança de paradigma no combate ao crime no Brasil.

A operação mira nomes ligados ao alto empresariado, como Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, além de executivos de grandes bancos. A apuração trata de uma fraude estimada em R$ 54 bilhões, revelada em 2023, que se tornou um dos maiores escândalos corporativos da história recente do país.

Para Casalino, o avanço da PF sobre estruturas empresariais e financeiras mostra que a grande criminalidade não está restrita aos espaços tradicionalmente associados ao crime organizado. Segundo ele, há um campo sofisticado de ilegalidades que por muito tempo permaneceu fora do foco das investigações. “A Polícia Federal parece que se deu conta de que tem um grande campo, digamos assim, de criminalidade que estava passando despercebido, estava passando relativamente despercebido”, afirmou.

O jurista disse ainda que a operação deve ser compreendida em um cenário mais amplo, envolvendo mercado financeiro, setor de apostas e possíveis conexões com organizações criminosas. “Eu imagino aqui que a Polícia Federal esteja no fio da meada, digamos assim, de como o mercado financeiro tem produzido uma interface com o crime organizado”, declarou.

Casalino criticou a visão dominante que associa a criminalidade principalmente a comunidades pobres, pessoas negras ou grupos vulnerabilizados. Para ele, embora o crime também exista nesses espaços, talvez eles não sejam os principais locais onde se desenvolve a criminalidade de maior escala. As operações recentes, em sua avaliação, indicam que o Estado começa a mirar estruturas econômicas de grande poder e influência.

Na análise do jurista, o aprofundamento das investigações contra crimes financeiros pode abrir uma nova frente para o campo progressista no debate sobre segurança pública. Ele afirmou que a esquerda historicamente teve dificuldade para apresentar respostas concretas nessa área, mas que seguir o dinheiro e compreender a lógica financeira do crime organizado pode alterar esse cenário.

“Se a Polícia Federal conseguir desvencilhar, entender a lógica de criminalidade do mercado financeiro, das bets, a conexão com o crime organizado, eu acho que o presidente Lula, uma vez reeleito, tem um campo aí que nos permite dar respostas concretas no campo da segurança pública”, disse.

Casalino também relacionou o funcionamento do capitalismo à existência de práticas criminosas nas estruturas econômicas. Para ele, “o capitalismo não se constitui fora do crime, ele precisa do crime, embora ele não possa se apresentar como algo criminoso”. O jurista afirmou que o centro da criminalidade econômica deve ser buscado “nas empresas, na bolsa de valores, no mercado financeiro”.

Segundo ele, combater os esquemas financeiros significa atingir o coração do crime organizado: seu sistema de financiamento. Para Casalino, a importância da operação não está apenas em alcançar empresários específicos, mas em revelar que a criminalidade de grande escala pode estar instalada em ambientes de alta influência política e econômica.

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