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PF vai extrair dados do celular e tablet de Ciro Nogueira

Equipamento foram encaminhados ao INC para a extração de dados armazenados

Ciro Nogueira (Foto: Senado Federal)

247 - A Polícia Federal iniciou o processo de extração de dados do celular, tablet e demais aparelhos eletrônicos apreendidos na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI), localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília. Os equipamentos foram encaminhados ao Instituto Nacional de Criminalística (INC), órgão vinculado à estrutura da PF na capital federal, onde peritos realizam o procedimento técnico de coleta de informações digitais. As informações são da CNN Brasil.

 Segundo investigadores, nesta etapa inicial não há análise de conteúdo, mas sim a extração técnica dos dados armazenados nos aparelhos. Mensagens, fotos, vídeos, e-mails, registros de chamadas e capturas de tela serão copiados para os sistemas da Polícia Federal, permitindo posteriormente o trabalho investigativo conduzido por agentes e delegados.

A partir dessa fase, a PF pretende mapear possíveis contatos, frequência de comunicação, conteúdo das conversas e eventual relação das mensagens com o inquérito em andamento. Investigadores avaliam que trocas de mensagens têm sido fundamentais para sustentar as conexões políticas e financeiras apuradas ao longo da operação.

Decisão do STF aponta “benefícios mútuos”

A decisão assinada por André Mendonça em 6 de maio de 2026 sustenta que existem “indícios concretos” de um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos” entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O ministro acolheu representação da Polícia Federal e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), autorizando medidas cautelares contra investigados e a prisão temporária do empresário Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema.

No caso de Ciro Nogueira, o STF determinou ainda a proibição de contato com outros investigados da Operação Compliance Zero.

PF investiga atuação parlamentar em favor do Banco Master

A investigação da Polícia Federal aponta que o senador teria atuado politicamente para favorecer interesses privados ligados ao Banco Master. O principal foco recai sobre a chamada “Emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira em agosto de 2024 durante a tramitação da PEC 65/2023.

Segundo a PF, a proposta previa elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, o que beneficiaria diretamente o Banco Master.

De acordo com a decisão do STF, a emenda teria sido elaborada pela assessoria do banco, encaminhada por interlocutores de Daniel Vorcaro e posteriormente apresentada integralmente pelo senador no Senado Federal.

André Mendonça reproduziu na decisão um trecho da investigação em que Daniel Vorcaro teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como mandei”. A PF afirma ainda que integrantes do banco comemoraram a medida, avaliando que ela poderia “sextuplicar” os negócios da instituição e provocar uma “hecatombe” no mercado financeiro.

Minutas de projetos circularam na residência do senador

Outro ponto destacado na investigação envolve a circulação de minutas de projetos de lei na residência de Ciro Nogueira.

Segundo a Polícia Federal, em novembro de 2023, Daniel Vorcaro teria ordenado a retirada de envelopes contendo propostas legislativas de interesse do grupo econômico. Os documentos teriam sido levados para revisão em um escritório ligado ao banqueiro antes de seguirem ao gabinete parlamentar.

A PF afirma também que houve orientação para que o motorista responsável pelo transporte dos documentos evitasse associar a entrega ao Banco Master.

Entre as propostas citadas pela investigação estão projetos relacionados ao Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN) e ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

Investigação cita imóveis, viagens e pagamentos mensais

A decisão do STF detalha ainda uma série de supostas vantagens econômicas recebidas por Ciro Nogueira. Entre os elementos mencionados pela Polícia Federal estão:

  • aquisição de participação societária com “expressivo deságio”;
  • pagamentos mensais recorrentes;
  • uso gratuito de imóvel de alto padrão;
  • custeio de viagens internacionais;
  • despesas com hotéis e restaurantes de luxo;
  • utilização de voos privados;
  • fornecimento de cartão para despesas pessoais.

Segundo a investigação, o senador teria adquirido uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão. A PF também aponta repasses mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Na decisão, André Mendonça afirma que os elementos reunidos indicam que a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro “extrapola relações de mera amizade”.

Conversas interceptadas mencionam pagamentos e viagens

O documento do STF reproduz ainda diálogos atribuídos a integrantes do esquema investigado. Em uma das mensagens, um interlocutor questiona Daniel Vorcaro sobre o pagamento de despesas relacionadas ao senador e sua esposa durante viagem internacional.

“Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”, perguntou Léo Serrano.

Daniel Vorcaro respondeu: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.

Em outro trecho, conversas entre Felipe Vorcaro e Daniel Vorcaro tratam de pagamentos ligados à chamada “parceria BRGD/CNLF”, apontada pela PF como mecanismo financeiro usado para repasses ao núcleo ligado ao senador.

“Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”, perguntou Felipe Vorcaro.

“Sim”, respondeu Daniel Vorcaro.

Posteriormente, outro diálogo menciona aumento dos valores.

“Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”, questiona Felipe Vorcaro.

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