HOME > Brasil

PL Mulher ignora pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e expõe fissuras internas no bolsonarismo

Presidido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o PL Mulher tem ignorado publicamente a campanha do senador

Michelle Bolsonaro - 23 de novembro de 2025 (Foto: Reuters/Mateus Bonomi)

247 - O PL Mulher, ala interna do Partido Liberal (PL) voltada à representação feminina, tem mantido silêncio sobre a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um sinal claro de racha político dentro da legenda bolsonarista. A informação foi inicialmente divulgada no UOL e confirmada por apurações de veículos locais que observam a ausência de menções ao nome de Flávio nas redes sociais do grupo desde o anúncio de sua candidatura em dezembro de 2025. 

Presidido pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o PL Mulher tem ignorado publicamente a campanha do senador, em contraste com o perfil oficial do PL nacional, que publicou mais de 40 posts celebrando a entrada de Flávio na corrida presidencial desde o seu lançamento. 

Segundo o levantamento da reportagem, os perfis oficiais do PL Mulher, assim como as publicações pessoais de Michelle Bolsonaro, não mencionaram nem repercutiram a candidatura presidencial do senador. Essa postura difere do que se observa nos canais institucionais do PL, que têm promovido regularmente a atuação de Flávio Bolsonaro como candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. 

A ausência de apoio explícito às postagens de Flávio em canais ligados ao PL Mulher gerou questionamentos entre membros bolsonaristas e observadores políticos, que veem no comportamento um reflexo de divergências internas entre Michelle e os filhos de Jair Bolsonaro acerca do projeto eleitoral de 2026

Aliados próximos ao grupo afirmam que a postura de Michelle pode estar ligada à frustração com a escolha de Flávio como candidato presidencial, uma vez que ela própria era cotada para liderar a chapa ou ocupar papel de maior protagonismo eleitoral, incluindo cenários que a colocariam como candidata a presidente ou vice. 

A questão ganha destaque no contexto da rotina de postagens e engajamento digital do PL Mulher. Nos últimos dois meses, a organização promovida por Michelle Bolsonaro tem destacado atuações de outros parlamentares, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), elogiando sua liderança e desempenho, enquanto ignora a agenda de Flávio Bolsonaro — atitude que bolsonaristas ouvidos pela reportagem interpretam como provocação ou sinal de prioridades políticas divergentes dentro da legenda. 

A dinâmica nas redes ocorre em paralelo a um momento de reorganização das forças internas do PL após a detenção e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que permanece um dos principais pontos de referência do bolsonarismo. A polarização das estratégias eleitorais para 2026 tem colocado em confronto diferentes alas do grupo, com Michelle buscando consolidar sua influência em setores do partido voltados ao público feminino e com forte apelo entre eleitores conservadores. 

A tensão manifesta nas redes sociais espelha debates mais amplos dentro do PL sobre liderança, protagonismo e direção estratégica, especialmente em um cenário em que a sigla busca unificar seu discurso e forças em torno de nomes competitivos para a eleição presidencial. A postura reservada de Michelle diante da campanha de Flávio Bolsonaro reforça a ideia de que a disputa pelo espaço político no PL vai além da simples escolha de candidaturas e inclui fatores familiares e pessoais que têm influenciado a dinâmica interna do partido. 

Artigos Relacionados