Povo indígena Paiter Surui inova ao escolher cacique pelo voto

922 indígenas de 28 aldeias entraram na fila em Rondônia para votar em urnas cedidas pelo TRE, mudando a tradição hereditária. Almir Surui foi eleito com mais de 50% dos votos válidos

Irmãos Mopiry, Almir e Agamenon Surui
Irmãos Mopiry, Almir e Agamenon Surui (Foto: Luciana Oliveira)
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247 - A repórter Luciana Oliveira, da TV 247, percorreu cerca de 500 quilômetros pela BR-364 até a terra indígena 7 de setembro, do povo Paiter Surui, para mostrar a primeira escolha de um cacique geral através do voto.

922 indígenas de 28 aldeias, incluindo adolescentes a partir dos 15 anos, entraram na fila para votar em urnas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Com três candidatos a cacique geral, a votação durou mais de dez horas. 

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“Antes era hereditariamente o poder de pai passar para o filho, mas hoje entendemos que a vontade da maioria prevalece”, contou Celso Surui, membro da Comissão Organizadora.

Mais recentemente, era o Conselho de Anciões do povo quem deliberava sobre a escolha do cacique geral.

53 anos após primeiro contato dos Surui com não-indígenas, chegou a hora do voto.

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Uma comissão organizadora habilitou mesários que conferiram documentos e conduziram a votação.

“Será um exemplo para todo o povo de Rondônia”, acredita Paline Suruí, um dos idealizadores da eleição.

Almir Surui foi eleito com mais de 50% dos votos válidos. Ele é do clã Gameb, um dos quatro do povo Paiter Surui. Vive na aldeia Lapetanha e figura entre as lideranças indígenas da Amazônia de maior projeção internacional do país.

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Pela defesa do meio ambiente, da Amazônia, dos territórios e povos indígenas, Almir foi incluído na lista das 100 pessoas mais criativas do mundo da revista americana Fast Company.

Em maio deste ano foi intimidado a depor na Polícia Federal por ter feito críticas a Jair Bolsonaro, o que entidades consideraram uma ameaça aos povos da floresta e à democracia.

A eleição indígena para cacique geral é uma iniciativa pela defesa e fortalecimento da democracia.

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A escolha do cacique pelo voto popular, para Amir Surui, serviu “para mostrar a importância da democracia. Porque a democracia é a base de tudo para uma sociedade que quer ser justa, onde entende que [deve] respeitar os direitos de cada um, ouvir e ser ouvida, votar e ser votada. Democracia é um caminho que a sociedade precisa valorizar e garantir espaço de todos os segmentos”.

Capacidade de diálogo e disposição de luta para ampliar direitos dos indígenas são marcas da personalidade do novo cacique geral.

Fazer de seu território um modelo de desenvolvimento sustentável é meta do mandato de quatro anos.

Na aldeia em que vive, ele mostra as plantações sem veneno e no sistema de agrofloresta que garante alimento constante com preservação do solo e da floresta.

Os irmãos Agamenon e Mopiry destacam o reflorestamento com milhares de árvores nobres como a samauma, a rainha da Amazônia.

Até canto para as árvores sagradas tem nessa roça.

A harmonia com a natureza e a importância que dão à democracia tem tudo a ver com a forma como os Surui se autodenominam: Paiter - “gente de verdade”. Nas palavras de Almir, isso significa “respeitar e ser respeitado”.

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