“Precisamos fazer a campanha ‘a maconha é nossa’”, diz Orlando Zaccone

O delegado de polícia do Rio de Janeiro defendeu a legalização da maconha, mas destacou que a “verdadeira legalização” deve se basear em políticas que liberem o auto-cultivo e busquem reparar danos históricos. Além disso, “‘a maconha é nossa’ no sentido de não entregar o nosso solo para as empresas estrangeiras virem aqui produzir um medicamento e plantar maconha no nosso território”. Assista

(Foto: Reprodução | Reuters)
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247 - O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Orlando Zaccone, em entrevista à TV 247, defendeu a legalização da maconha e afirmou que, neste cenário, é importante evitar que países estrangeiros venham se estabelecer no Brasil, que possui grande potencial para o cultivo da planta.

“O empresariado nacional desapareceu. Quem é que está produzindo remédio no Brasil? Qual empresa que produz remédio? A gente não produz nem mais tecido. Acabaram com o parque industrial brasileiro. Nos anos 1980, a gente mandava lycra para a Europa, tinha uma empresa chamada Poesia, que faliu. A gente não fabrica nem tecido mais. O Brasil não fabrica mais nada. Então, qualquer coisa que vise a criação de um parque industrial no Brasil, dentro da nossa conjuntura, é para beneficiar as empresas estrangeiras. E a gente não pode permitir isso porque eles não têm nem espaço para plantar maconha para fornecer para o mundo inteiro. Imagina a Inglaterra, que é um dos países que está avançando muito nessa indústria, aonde que eles vão plantar maconha, num frio danado? Eles precisam da nossa terra, porque aqui, ‘em se plantando tudo dá’. E, por isso, nós temos que fazer nosso grande movimento, eu e André Barros estamos aí construindo um diálogo com o campo político, nós precisamos fazer a campanha ‘a maconha é nossa’”.

Segundo Zaccone, que é mestre em Ciências Penais, a “verdadeira legalização” deve se basear em políticas que liberem o auto-cultivo e busquem reparar danos históricos. Ele ainda defendeu mudanças no projeto de lei em discussão na Câmara que autoriza a venda de medicamentos derivados da Cannabis (nome científico da maconha) para fins medicinais: “‘A maconha é nossa’ no sentido da verdadeira legalização, que não é entregar o nosso solo para as empresas estrangeiras virem aqui produzir um medicamento e plantar maconha no nosso território. Não podemos permitir isso. Então, precisamos fazer um avanço nesse projeto de lei, e aí que vem a grande discussão, que é aquilo que o William [internauta] falou: ‘veta Bolsonaro’. ‘Veta Bolsonaro’ é tudo que o Bolsonaro quer para botar lá a empresa dele, para ter o monopólio do óleo. Não sei se esse é o melhor caminho. O melhor caminho é a gente disputar por uma mudança nesse projeto de lei, que já está encaminhado. Eu acho que é possível a gente colocar emendas legislativas que façam com que, quando esse projeto chegar no plenário, ele esteja contemplado com algumas questões que nós temos brigado, como auto-cultivo, políticas reparatórias e uma série de outras questões que a gente tem que discutir”. 

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