Retomada de obras em fábrica de fertilizantes no MS contribui para reduzir dependência nacional de importações
Obras voltam a avançar após paralisação desde 2015, com previsão de investimentos de aproximadamente US$ 1 bilhão
247 - A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, deve contribuir para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração da Petrobras na segunda-feira (13). As informações foram divulgadas pela Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Paralisada desde 2015, a obra volta a avançar com previsão de investimentos de cerca de US$ 1 bilhão. A iniciativa reforça a atuação da estatal em um setor considerado estratégico para o abastecimento nacional.
Segundo a coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, a retomada do projeto está associada à mobilização dos trabalhadores em defesa da empresa. Ela afirmou que a continuidade das obras resulta da atuação em favor de uma Petrobras integrada ao desenvolvimento do país.
Impacto nas importações
Com capacidade estimada de produção de aproximadamente 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, a unidade deve ampliar a oferta interna de insumos essenciais para o agronegócio. De acordo com o diretor da entidade especialista no setor, Albérico Queiroz, a entrada em operação da UFN-III permitirá reduzir a necessidade de importação de fertilizantes. "Com a entrada em operação da UFN-III reduziremos a necessidade de importação de 80% para 65%", afirmou.
Ele explicou que, atualmente, o Brasil importa cerca de 88% da demanda interna, mesmo com a produção das fábricas da Bahia e de Sergipe. Com a reativação da unidade do Paraná, a taxa deve cair para 80%, e posteriormente para 65% com a nova planta em Mato Grosso do Sul.
Segurança alimentar
Queiroz destacou que a redução da dependência externa não elimina o problema estrutural, mas contribui para diminuir riscos no abastecimento. Segundo ele, unidades já em operação tiveram papel relevante diante de impactos recentes no mercado internacional.
"A conclusão das obras da UFN-III transcende o atendimento aos pleitos do setor agropecuário", afirmou. A amônia produzida será utilizada como matéria-prima para fertilizantes e para a indústria petroquímica. Já a ureia é o fertilizante nitrogenado mais utilizado no país, com consumo anual em torno de 8 milhões de toneladas.


