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Rússia e EUA mantêm diálogo, mas divergências persistem sobre plano de paz para a Ucrânia

Representante russo na ONU reafirma disposição de Moscou por solução diplomática e diz que "muitas nuances" ainda precisam ser discutidas

Vasily Nebenzya, embaixador russo na ONU (Foto: Sputnik)

247 - Em nova sessão do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta terça-feira (29), o Representante Permanente da Rússia nas Nações Unidas, Vasily Nebenzya, reiterou o compromisso de Moscou com uma saída diplomática para o conflito na Ucrânia. Segundo ele, o diálogo com os Estados Unidos continua em curso, mas ainda há "muitas nuances" a serem debatidas sobre os contornos de um eventual plano de paz. As declarações foram feitas conforme noticiado pela agência russa TASS, que acompanha de perto os desdobramentos da diplomacia internacional envolvendo a guerra.

"O diálogo russo-americano está em andamento, e muitas nuances sobre os contornos futuros de um plano de paz ainda precisam ser discutidas", afirmou Nebenzya durante a reunião. Segundo o diplomata, a Rússia nunca se afastou da mesa de negociações e continua vendo os canais diplomáticos como caminho preferencial para a resolução do conflito.

“Desde o início do conflito, declaramos que preferimos meios diplomáticos para atingir os objetivos de nossa operação militar especial. É por isso que a Rússia continua comprometida em encontrar soluções duradouras que eliminem a causa raiz do conflito e impeçam sua retomada”, completou.

A fala do embaixador reforça a estratégia russa de manter um discurso de abertura ao diálogo, mesmo diante das sucessivas ofensivas no campo de batalha e da tensão com o Ocidente. O governo russo tem repetidamente acusado os Estados Unidos e seus aliados europeus de alimentarem o prolongamento do conflito ao fornecer armas e apoio logístico ao governo ucraniano.

A Casa Branca, liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não se manifestou oficialmente sobre os próximos passos em relação ao diálogo com Moscou.

A ONU, que tem buscado promover uma mediação mais ampla envolvendo outros atores internacionais, também segue pressionando por um cessar-fogo imediato. Contudo, diplomatas reconhecem, nos bastidores, que as perspectivas de um acordo ainda estão distantes diante das posições inconciliáveis entre as partes.

A ausência de consenso sobre pontos centrais — como a situação das regiões anexadas pela Rússia e as garantias de segurança exigidas por ambos os lados — permanece como um dos principais obstáculos para qualquer avanço efetivo nas tratativas.

Apesar das incertezas, a disposição pública da Rússia em continuar conversando com os Estados Unidos é vista por analistas internacionais como um sinal de que, mesmo diante da escalada militar, os canais de negociação seguem abertos. 

A reunião do Conselho de Segurança serviu também como palco para novos embates retóricos entre os representantes das potências envolvidas, refletindo a polarização crescente no cenário internacional. Mesmo assim, o sinal emitido por Nebenzya — de que o diálogo com Washington está ativo — pode abrir uma pequena janela de oportunidade para iniciativas diplomáticas mais robustas nos próximos meses.

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