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Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo”

Presidente da Fepal critica projeto de deputada sobre antissemitismo e diz que proposta favorece interesses de Israel e pode limitar o debate político

Ualid Rabah classifica Tabata Amaral como “capanga do sionismo” (Foto: Divulgação | Pablo Valadares/Agência Câmara)

247 - O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), Ualid Rabah, fez duras críticas à deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) após a apresentação do Projeto de Lei 1424/2026, que propõe a adoção de uma definição internacional de antissemitismo. Em publicação nas redes sociais, Rabah classificou a parlamentar como “capanga do sionismo” ao comentar a iniciativa.

A manifestação foi divulgada pela própria Fepal e ocorre em meio à repercussão do projeto apresentado na Câmara dos Deputados do Brasil, que estabelece parâmetros para políticas públicas com base na definição da Aliança Internacional para Memória do Holocausto (IHRA). A proposta tem gerado controvérsia por, segundo críticos, abrir margem para restringir críticas ao Estado de Israel.

Na publicação, Rabah afirma que a deputada “requenta projeto da Mordaça Sionista no Brasil” e a descreve como “uma espécie de ‘office boy VIP’ do sionismo no Brasil”. Segundo ele, “Tabata Amaral (PSB-SP) protocolou o projeto de lei 1424/26, uma versão recauchutada da PL da Mordaça Sionista, a mando de ‘israel’”.

O dirigente também critica diretamente a adoção dos critérios da IHRA, organização que, segundo ele, é um “lobby sionista”. Na mesma declaração, sustenta que a definição proposta “é criticada no mundo inteiro por alargar o conceito de antijudaísmo para blindar ‘israel’ e suas políticas genocidas de críticas”.

Rabah menciona ainda que, no Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos já se posicionou contra a definição. De acordo com ele, o órgão classificou o conceito como “inconstitucional” e afirmou que a formulação “introduz conceitos distorcidos de antissemitismo para perseguir e condenar quem se manifesta contrário às políticas do Estado de Israel”.

A Fepal também lamentou o apoio de parlamentares que, segundo a entidade, já denunciaram ações militares na Faixa de Gaza. Na nota, Rabah declarou: “A FEPAL lamenta que entre os signatários do Projeto de Lei estejam parlamentares progressistas, que já denunciaram o genocídio em Gaza, e esperamos que retirem suas assinaturas, sob pena de manchar as mãos com o sangue das crianças palestinas exterminadas por ‘israel’”.


Projeto gera controvérsia no Congresso

O Projeto de Lei 1424/2026, apresentado por Tabata Amaral e outros parlamentares, propõe definir o antissemitismo no Brasil com base em critérios internacionais da IHRA. O texto prevê que manifestações antissemitas podem ter como alvo o Estado de Israel, “encarado como uma coletividade judaica”.

Ao mesmo tempo, a proposta ressalva que críticas ao país, quando semelhantes às dirigidas a outras nações, não devem ser consideradas antissemitas. Na justificativa, os autores afirmam que o objetivo é orientar políticas públicas e combater o racismo, sem restringir o debate político ou a liberdade de expressão.

Apesar disso, a iniciativa tem sido alvo de críticas de diferentes setores, que veem risco de equiparação entre antissionismo — oposição política ao Estado de Israel — e antissemitismo.

Entre os críticos está o jornalista Breno Altman, que fez ataques diretos aos parlamentares envolvidos. “Tabata Amaral (PSB-SP), Heloísa Helena (REDE-RJ) e Vander Loubet (PT-MS) são subscritores do PL 1424/2026, que equipara antissionismo e antissemitismo, adotando regras da IHRA, da qual Lula retirou o Brasil. Não se envergonham de serem cúmplices do Estado genocida de Israel?”, afirmou.

Altman também destacou a adesão de deputados do PT ao projeto: “Seis deputados do PT assinam o Projeto de Lei 1424/2026, que equipara antissionismo e antissemitismo: Alexandre Lindenmeyer (PT/RS), Ana Paula Lima (PT/SC), Luiz Couto (PT/PB), Reginaldo Lopes (PT/MG), Vander Loubet (PT/MS) e Welter (PT/PR). Esse comportamento é um vil insulto”.

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