Chico Buarque lembra papel da Globo na Lava Jato e diz que foi censurado pela empresa quando Lula foi preso (vídeo)

Chico Buarque afirmou que, após a condenação de Lula, foi procurado para se manifestar pelo jornal O Globo, mas a sua declaração foi censurada. "Mandei perguntar para a redação por que (minha fala) foi censurada. Aí disseram 'a gente não publicou porque o leitor não iria entender'", disse o artista. "Será que hoje o leitor entende?", acrescentou

Ex-presidente Lula, família Marinho e Chico Buarque
Ex-presidente Lula, família Marinho e Chico Buarque (Foto: ABr | Bob Wolfenson | Divulgação)
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247 - O cantor e compositor Chico Buarque lembrou num vídeo a Luis Nassif que foi censurado pelo jornal O Globo logo depois da prisão de Lula pela Lava Jato em 7 de abril de 2018:  

"Quando Lula foi condenado, o Globo procurou várias pessoas para se manifestar. Eu respondi: 'O Globo faz a diferença'. Abro o jornal, tem a declaração de várias pessoas e não tinha a minha. Mandei perguntar para a redação por que (minha fala) foi censurada. Aí disseram 'a gente não publicou porque o leitor não iria entender'", disse o artista. "Será que hoje o leitor entende?", acrescentou.

Nesta terça-feira (9), o Intercept Brasil divulgou uma reportagem mostrando a ligação entre o grupo de comunicação da família Marinho e a Lava Jato. Em publicação em agosto de 2015, no grupo do Telegram 'Parceiros/MPF–10 Medidas', o colega de Ministério Público Federal chamado Daniel Azeredo comentou sobre um encontro com um dos chefões da Globo. "O diretor executivo de jornalismo da Globo está em contato conosco para conversar sobre o assunto", disse. 

Em julho de 2015, o grupo comemorava mais um avanço nas investigações e o então coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, pediu que segurassem algumas informações. "Não passem pra frente, vamos dar pro JN de amanhã em princípio…", disse no grupo FT–MPF 2.

De acordo com a Vaza Jato, com reportagens que vêm sendo publicadas desde junho de 2019 sobre irregularidades na operação, Moro agia como uma espécie de assistente de acusação. 

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal autorizou a defesa do ex-presidente Lula a ter acesso aos diálogos entre Sérgio Moro e procuradores do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR). Em uma das mensagens, trocadas em 16 de fevereiro de 2016 e incluída pela defesa de Lula na ação, o então magistrado pergunta se os procuradores têm uma "denúncia sólida o suficiente".

As mensagens foram obtidas no âmbito da Operação Spoofing, responsável por investigar o acesso a celulares dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Antes de os advogados de Lula terem acesso às mensagens, a Vaza Jato havia revelado que Moro também chegou a questionar a capacidade de a procuradora Laura Tessler participar de audiências que envolvessem Lula.

Moro recebeu o convite da equipe de Jair Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral de 2018 para ser ministro da Justiça. Depois de aceitar, deixou o governo em abril do ano passado, apontando crime de responsabilidade de Bolsonaro ao denunciar tentativa de interferência na Polícia Federal. 

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