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Haddad lança livro em São Paulo e defende mobilização contra a extrema-direita

O ministro participou de uma mesa ao lado do cientista político Celso Rocha de Barros e da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu neste sábado (7) a mobilização da sociedade em defesa da democracia e contra a extrema-direita durante o lançamento de seu novo livro, Capitalismo Superindustrial, em São Paulo. O evento ocorreu no Sesc 14 Bis, na região central da capital paulista, e reuniu intelectuais e apoiadores do ministro.

O ministro participou de uma mesa ao lado do cientista político Celso Rocha de Barros e da historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz. No encontro, Haddad comparou o novo livro com uma obra anterior escrita por ele nos anos 1990, quando analisava o avanço do neoliberalismo e a ausência de reação da esquerda ao crescimento da extrema-direita.

“Por que esse livro é mais otimista? Porque a extrema-direita já ascendeu. E eu não acredito que a humanidade vai ficar parada”, disse Haddad.

Em seguida, o ministro afirmou: “Então, é um otimismo mitigado por uma esperança de que a gente se mobilize contra a extrema-direita e faça alguma coisa útil das nossas vidas”.

Durante a conversa com o público, Haddad também falou sobre os desafios de quem ocupa cargos de poder e a pressão constante do ambiente político. “Quanto mais poder se acumula, mais distante você fica desse tipo de assunto. Você pode notar, é natural que você busque proteção. É tanta porrada: da esquerda, direita, de cima, debaixo e de dentro”, declarou.

O ministro afirmou ainda que escrever o livro não foi uma decisão simples, mas que considera a iniciativa coerente com sua trajetória política. “Então, não é recomendável (escrever um livro como esse). Mas não é recomendável para uma pessoa que não entrou para a política com os meus compromissos. Eu não conseguiria sair deste cargo sem publicar este livro, porque a razão pela qual se entra na política é tentar encontrar caminhos. Não é sair bem com todo mundo. Não dá. Ainda mais em um país como o Brasil.”

Segundo Haddad, a principal motivação para ingressar na vida pública é “encontrar caminhos” para a construção de uma sociedade menos desigual, e não buscar consenso fácil ou aprovação generalizada.

A nova obra revisita estudos de mestrado e doutorado feitos por Haddad nas décadas de 1980 e 1990, atualizando teses sobre o funcionamento do capitalismo. No livro, o ministro propõe o conceito de “capitalismo superindustrial” para analisar transformações recentes da economia e dialogar com correntes contemporâneas do pensamento progressista.

O livro também discute as estratégias adotadas por diferentes países para formular uma visão moderna do capitalismo em meio aos desafios políticos, tecnológicos e sociais do mundo atual.

O lançamento ocorre em meio a especulações sobre o futuro político de Haddad. Na véspera do evento, o ministro participou da comemoração dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, em Salvador, e vem sendo citado por aliados como possível candidato nas eleições de outubro deste ano.

Em entrevista recente ao UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin “têm um papel a cumprir” nas eleições em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Lula também mencionou a ministra Simone Tebet como outro nome com missão política no estado.

O nome de Haddad é apontado nos bastidores como favorito do PT para a disputa pelo governo paulista ou para uma vaga no Senado. O próprio ministro, porém, tem repetido que não pretende concorrer a cargos eletivos neste ano e que prefere contribuir com a elaboração do programa de governo da campanha de Lula à reeleição.

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