Precisamos que o cenário político mude radicalmente, diz Zeca Baleiro

Para o cantor e compositor maranhense, “o bando de celerados que tomou o poder” tem de sair para que o país possa resgatar processos de transformação que estavam em curso

Zeca Baleiro apresenta ‘Calma Aí, Coração’
Zeca Baleiro apresenta ‘Calma Aí, Coração’ (Foto: Divulgação)
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Cida de Oliveira, da RBA - Na avaliação do cantor e compositor Zeca Baleiro, o momento atual é muito caótico e ao mesmo tempo trágico. E não só por causa da pandemia de covid-19 que já matou mais de 400 mil pessoas no Brasil, incluindo dois de seus primos.

“Agora a gente vive um momento mais trágico. Não me refiro só à pandemia, mas à situação política, o caos político anterior. A pandemia só veio coroar com mais tragédia, com esses números de guerra, genocídio mesmo. Uma dor muito grande pro país e pro mundo em geral”, disse em live promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) na noite desta sexta-feira (30), para marcar o encerramento da 22ª Semana em Defesa da Educação.

A gravidade da situação atual, para o artista, está muito relacionada com com o atual quadro político no país. “Todas as questões básicas e prementes da sociedade brasileira estão sendo deixadas de lado, como o meio ambiente, segurança, saúde, e culminando nesse descaso com a educação, que é a base de tudo, o ponto de partida. Se tem educação, você tem mais consciência política sobre o mundo, sobre tudo que está em torno, sabe se posicionar, tem consciência ética, estética.

Música e política

Ao presidente da CNTE, Heleno Araújo, e à vice, Marlei Fernandes, que conduziam a conversa alternada com músicas conhecidas de seu repertório, Zeca Baleiro ressaltou a necessidade do fim do governo de Jair Bolsonaro. “A gente precisa que o cenário político mude radicalmente, que saia esse bando de celerados que tomou o poder e a gente possa, quem sabe, resgatar processos de transformação do Brasil que estavam em curso. Temos de compartilhar a riqueza cultural, econômica e os acessos a tudo isso.”

No entanto, apesar da conjuntura atual, ele não pensa em morar em outro país. “Eu sou apaixonado, adoro, sou viciado nesse caos. Eu adoro isso aqui, a nossa música, nosso cinema, futebol. A gente tem muita coisa preciosa, a nossa língua, que se reinventa o tempo todo, coisas muito maravilhosas. Naturalmente que podemos mudar esse caos, podemos fazer com que seja menos caótico, que a gente tenha mais igualdade social, mais educação, acesso ao trabalho. Essas são coisas que a gente aspira no nosso sonho de um país melhor. O Brasil é nossa vida e a gente tem de lutar por esse país maravilhoso.”

Luta diária

Além da paixão pelo país, disse ter muita esperança – a do verbo esperançar, conforme o educador Paulo Freire. “Temos de esperançar, agir, em uma construção diária. Não é um milagre que acontece em um dia e teremos o país dos sonhos. É ir mudando o jeito que a gente se relaciona com as pessoas, como a gente se posiciona politicamente. A luta é diária. Cada dia uma tourada. E assim vamos.”

Zeca Baleiro também tem muita fé. “Uma fé meio absurda, delirante, porque o que a gente tá vendo agora rouba toda a nossa esperança. A verdade é essa. Tenho amigos que não conseguem sair da cama, não conseguem fazer nada porque o momento está assustador. Mas tenho muita fé que vamos superar esse momento caótico e que ainda vai ter um tempo de muita bonança. A gente vai dar a volta por cima, vai ter carnaval multicultural na periferia, no centro. Acho que o Brasil e o brasileiro merecem isso.”

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