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Susan Sarandon diz ter sido boicotada em Hollywood após defender cessar-fogo em Gaza

Atriz afirma que perdeu representação profissional e oportunidades nos Estados Unidos

Susan Sarandon (Foto: Reprodução)

247 - A atriz Susan Sarandon, vencedora do Oscar e um dos nomes mais respeitados do cinema norte-americano, afirmou ter enfrentado um boicote profissional em Hollywood após se posicionar publicamente a favor de um cessar-fogo na guerra em Gaza. As declarações foram feitas durante discurso na cerimônia do Prêmio Goya, em Barcelona, conforme repercutido pela imprensa internacional.

Segundo a artista, sua carreira nos Estados Unidos sofreu impactos diretos após manifestações políticas realizadas em 2023. Durante o evento, Sarandon relatou que foi desligada da agência responsável por sua representação e passou a enfrentar dificuldades para trabalhar em grandes produções.

"Fui demitida pela minha agência, especificamente por protestar e me posicionar sobre Gaza, por pedir um cessar-fogo. Passou a ser impossível até mesmo fazer aparições na televisão. Não sei se isso mudou recentemente. Eu não conseguia fazer nenhum grande filme ou qualquer coisa ligada a Hollywood", revelou a vencedora do Oscar.

A atriz afirmou que, diante da redução de oportunidades na indústria cinematográfica norte-americana, buscou novos caminhos profissionais fora dos Estados Unidos. Segundo ela, a Europa passou a se tornar o principal espaço de atuação artística."

"Acabei de fazer um filme na Itália e fiz uma peça no Old Vic (em Londres) por vários meses. Conheço um diretor italiano que me contratou; disseram a ele para não me contratar, então isso ainda é algo recente. Ele não deu ouvidos, mas essa conversa existiu. Agora, eu meio que me especializo em filmes pequenos, com cineastas que nunca dirigiram antes, em produções independentes."

Nova fase artística fora dos Estados Unidos

Sarandon destacou que encontrou maior liberdade criativa e intelectual em países europeus, especialmente na Espanha, onde participou da premiação cinematográfica. Para a atriz, o ambiente cultural europeu permite maior abertura para posicionamentos políticos de artistas."Em um lugar onde você sente repressão e censura, ver a Espanha, ver o presidente e o que ele diz, e o apoio que está dando sobre Gaza, e ter atores como Javier Bardem se posicionando de forma tão forte, é muito importante para nós nos Estados Unidos. Não consigo explicar, quando você liga a TV e vê como a Espanha é firme e como vocês são claros moralmente sobre essas questões, isso faz você se sentir menos sozinho e faz você sentir que há esperança, porque simplesmente não se ouve isso na televisão nos EUA."

A fala da atriz ocorre em meio a um cenário de forte polarização política internacional envolvendo o conflito no Oriente Médio, tema que tem provocado debates intensos dentro da indústria cultural e entre artistas de diferentes países.Carreira marcada por posicionamentos políticos

Conhecida por papéis em produções consagradas — como Lado a Lado — Sarandon mantém, há décadas, histórico de engajamento político e participação em causas sociais. Ao longo da carreira, a atriz já se posicionou publicamente sobre direitos humanos, guerras internacionais e políticas internas dos Estados Unidos.Aos 79 anos, ela afirma seguir ativa artisticamente, ainda que distante das grandes produções hollywoodianas. Segundo a própria atriz, a experiência recente reforçou a escolha por projetos independentes e colaborações com novos realizadores, priorizando liberdade criativa em vez de grandes estúdios.

Mesmo diante das dificuldades relatadas, Sarandon afirmou permanecer comprometida com suas posições políticas e com o debate público internacional, defendendo o papel dos artistas na discussão de temas sociais e humanitários.

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