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Templo ISKCON em Nova Déli: um tesouro espiritual da Índia que preserva a força eterna do Bhagavad Gita

Santuário dedicado a Krishna conecta tradição milenar, filosofia do Gita e ecoa na cultura brasileira eternizada por Raul Seixas e Paulo Coelho

ISKCON Temple (Foto: Brasil 247)

247 – Em meio à densidade histórica e espiritual de Nova Déli, capital da Índia, o Templo ISKCON — oficialmente chamado Sri Sri Radha Parthasarathi Mandir — se consolida como um dos grandes tesouros contemporâneos da cidade. O nome ISKCON é a sigla em inglês de International Society for Krishna Consciousness, traduzida como Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. Trata-se de um movimento espiritual fundado em 1966 por A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, responsável por difundir mundialmente a tradição devocional dedicada a Krishna.

Localizado em East of Kailash, no sul da capital indiana, o templo é hoje um dos principais centros dessa tradição no mundo. Mais do que um espaço de culto, tornou-se um polo internacional de estudo e divulgação do Bhagavad Gita, um dos textos filosóficos mais influentes da humanidade e cuja palavra “Gita” se tornou familiar ao público brasileiro graças à célebre canção lançada em 1974 por Raul Seixas e Paulo Coelho.

Uma das atrações do templo é a Gita Experience
Uma das atrações do templo é a Gita Experience(Photo: Brasil 247)

Um santuário dedicado a Krishna

O ISKCON Temple é dedicado a Krishna e à sua consorte Radha, venerados como Sri Sri Radha Parthasarathi. A arquitetura combina elementos clássicos dos templos hindus com traços modernos, em mármore branco e vermelho, formando um complexo amplo e organizado. No interior, os altares ricamente ornamentados contrastam com a serenidade do ambiente, enquanto os cânticos devocionais ecoam continuamente.

O culto a Krishna no ISKCON Temple
O culto a Krishna no ISKCON Temple(Photo: Brasil 247)

O visitante é envolvido por mantras, música e pela repetição do Maha Mantra, expressão central da tradição Hare Krishna. A experiência não é apenas estética ou ritual, mas também educativa. O complexo abriga exposições interativas, biblioteca, auditório e programas permanentes de estudo do Bhagavad Gita, reforçando o papel do templo como centro de formação espiritual.

O Gita e o diálogo sobre ação e consciência

O Bhagavad Gita, cujo nome significa “Canção do Senhor”, integra o épico Mahabharata e apresenta o diálogo entre o príncipe Arjuna e Krishna, que atua como seu guia espiritual no campo de batalha de Kurukshetra. Diante do conflito iminente, Arjuna hesita, tomado por dúvidas morais e existenciais.

O momento do diálogo entre Arjuna e Krishna antes de uma batalha decisiva
O momento do diálogo entre Arjuna e Krishna antes de uma batalha decisiva(Photo: Brasil 247)

É nesse momento que Krishna expõe ensinamentos que atravessaram milênios. Ele fala sobre dever, responsabilidade ética e ação consciente. Ensina que o ser humano deve agir de acordo com seu dharma, mas sem apego aos frutos da ação. Explica que a essência do indivíduo é eterna e que o verdadeiro conhecimento conduz à libertação interior. Essa síntese entre ação no mundo e consciência espiritual transformou o Gita em uma das obras centrais da filosofia indiana, influenciando líderes como Mahatma Gandhi e inspirando estudiosos e buscadores em todo o planeta.

A ponte cultural com o Brasil

No Brasil, a palavra “Gita” ganhou dimensão popular por meio da música homônima de Raul Seixas e Paulo Coelho. A canção se tornou um marco do rock brasileiro ao dialogar com a ideia de unidade entre o indivíduo e o todo, ecoando conceitos presentes nas tradições espirituais da Índia.

Quando a letra afirma a presença do eu em todas as dimensões da existência, ela evoca, de forma poética e adaptada ao imaginário brasileiro, a noção de identidade entre o ser e o absoluto — um tema central da filosofia indiana. Ainda que não seja uma tradução literal do texto sagrado, a música expressa o espírito de universalidade que marca o Gita.

Espiritualidade viva na capital indiana

Visitar o ISKCON Temple de Nova Déli é experimentar uma síntese entre passado e presente. Ali, a espiritualidade milenar dialoga com o mundo contemporâneo, reafirmando a força de um ensinamento que fala sobre ação, consciência e liberdade interior.

Em uma cidade que concentra monumentos de diferentes impérios e religiões, o templo se destaca como símbolo da continuidade de uma tradição que atravessa a história da Índia e alcança, de maneira surpreendente, o imaginário cultural brasileiro. O Gita permanece vivo – não apenas como texto filosófico, mas como prática cotidiana e inspiração artística que ultrapassa fronteiras.

Relembre, abaixo, o clássico de Raul Seixas e Paulo Coelho:

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