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China recebe primeiras importações africanas sob política de tarifa zero

Política de tarifa zero dará vantagem competitiva a produtos africanos

China recebe primeiras importações africanas sob política de tarifa zero (Foto: Xinhua)

247 - Autoridades alfandegárias em toda a China estão processando a chegada de importações africanas que figuram entre as primeiras beneficiadas pela histórica ampliação da política de tarifa zero do país, que agora abrange todos os 53 países africanos com relações diplomáticas com a China.

Nas primeiras horas de sexta-feira, relata a reportagem é do Diário do Povo, 24 toneladas de maçãs da África do Sul tornaram-se o primeiro lote de importações a entrar na China sob a iniciativa histórica, que entrou em vigor em 1º de maio.

A carga, liberada rapidamente por agentes alfandegários em Shenzhen, no sul da China, tem como destino supermercados e mercados atacadistas em todo o país. Para essas maçãs sul-africanas, a tarifa caiu de 10% para zero, fortalecendo sua competitividade de preços no mercado chinês.

“Este é um benefício real”, afirmou Luo Shengcong, gerente-geral da Shenzhen Kin Shing Yip International Agent Co., Ltd., acrescentando que esse lote de mercadorias proporcionará uma economia tarifária de cerca de 20 mil yuans (aproximadamente 2.929 dólares).

A China já havia eliminado tarifas sobre 100% das linhas tarifárias para 33 países africanos menos desenvolvidos (PMDs) em 1º de dezembro de 2024. A nova política de tarifa zero passa a abranger países relativamente mais desenvolvidos, como Quênia, Egito e Nigéria.

O Ministério do Comércio da China afirmou, em comunicado, que a política de tarifa zero dará vantagem competitiva a produtos africanos como cacau da Costa do Marfim e de Gana, café e abacates do Quênia, e frutas cítricas e vinhos da África do Sul, que antes enfrentavam tarifas entre 8% e 30%.

No leste da China, em Xangai, uma remessa de laranjas do Egito tornou-se a primeira beneficiária da política ampliada a chegar à cidade.

O lote de 516 toneladas, liberado pela alfândega local nas primeiras horas de sexta-feira, contou com isenção tarifária de 320 mil yuans.

Também na sexta-feira, 24 toneladas de abacates do Quênia entraram na China via Xangai, com isenção de 26 mil yuans.

Na província de Hunan, no centro da China, uma carga com mais de 6 mil garrafas de vinho da África do Sul foi liberada pela alfândega no Aeroporto Internacional Changsha Huanghua, beneficiando-se de uma redução tributária de 21 mil yuans.

Zhang Xin, presidente da Hunan Express Wisdom Information Technology Co., Ltd., afirmou que o vinho sul-africano tem despertado grande interesse dos consumidores na Exposição Econômica e Comercial China-África.

“A expansão da política de tarifa zero reduzirá significativamente os custos de importação para as empresas”, disse, estimando que os preços finais desse vinho comercializado por sua empresa podem cair entre 15% e 20%.

“As empresas estão prontas para aproveitar essa oportunidade e ampliar a importação de produtos africanos diferenciados, introduzindo maior variedade de bens africanos de alta qualidade e custo competitivo no mercado chinês”, acrescentou Zhang.

A China tem sido o maior parceiro comercial da África por 17 anos consecutivos, com o comércio bilateral atingindo um recorde de 348 bilhões de dólares em 2025.

A política ampliada de tarifa zero tem sido amplamente elogiada como um passo significativo rumo à maior abertura da segunda maior economia do mundo, em um momento em que grande parte do sistema global de comércio tende ao protecionismo e à restrição de acesso aos mercados.

Guo Xueyan, autoridade da Administração Geral das Alfândegas, afirmou que, em meio a uma onda de protecionismo global, o fortalecimento das políticas de tarifa zero da China para países africanos exemplifica a verdadeira essência do multilateralismo.

A longo prazo, especialistas acreditam que a expansão da tarifa zero tornará o comércio China-África mais equilibrado e incentivará empresas a investir no setor manufatureiro africano para exportar à China a custos mais baixos.

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