‘A questão não é se a conta fecha, é quem vai pagar a conta’, diz Eduardo Moreira sobre financiamento da renda básica

“Se os bilionários brasileiros acumulam tanto dinheiro, como é que a gente diz que ‘não tem de onde tirar’ para dar para os miseráveis?”, questionou o economista durante entrevista à TV 247. Assista

Eduardo Moreira
Eduardo Moreira (Foto: Divulgação)
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247 - O economista Eduardo Moreira, do Instituto Conhecimento Liberta, rebateu na TV 247 as inúmeras falas de Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre as supostas dificuldades para se encontrar uma fonte de financiamento para a continuação do auxílio emergencial ou até mesmo para o programa de renda universal estudado pelo governo federal.

Moreira concorda que é preciso encontrar alguma fonte de financiamento para qualquer uma das duas frentes, mas ressaltou que não há saída se as grandes fortunas e os lucros exorbitantes dos grandes bancos não forem tocados. “Não tem como continuar pagando se você não tiver de onde tirar, e realmente se você não mexer nos lucros bilionários que seguem acontecendo, aí não vai ter de onde tirar. O Estado é um transferidor de riqueza, ele escolhe de quem ele tira e para quem ele dá essa riqueza. No meio dessa crise, quando o PIB encolheu mais de 5%, os quatro maiores bancos do Brasil lucraram, em média, já contando todas as provisões, R$ 5 bilhões cada um. Aí eu te pergunto: se os bancos estão com lucro líquido, se os bilionários brasileiros acumularam tanto dinheiro, como é que a gente diz que ‘não tem de onde tirar’ para dar para os miseráveis? Por que não se fala dos impostos sobre grandes fortunas, sobre mexer nos impostos sobre herança, sobre ter uma taxação maior nos bancos? Por mim tinha que ser perene, mas pelo menos nesse momento de crise. Não se fala nada disso, se fala no seguinte: ‘vamos diminuir as pessoas que ganham BPC (Benefício de Prestação Continuada) para pagar renda básica universal’, isso é uma maluquice!”, ressaltou.

O economista disse que a questão central sobre um programa de transferência de renda no Brasil, qualquer que seja, é “quem vai pagar a conta”, e não sobre ter ou não ter caixa. “Dizer que não tem de onde tirar é uma grande mentira, sempre tem. A pergunta certa a se fazer não é se a conta fecha, é quem vai pagar a conta. Quando a resposta do ‘quem vai pagar a conta?’ vai ali do meio para cima, todo mundo volta para a afirmação de que a conta não fecha, porque na verdade não querem que quem pague a conta sejam aqueles que já têm muito dinheiro”, explicou.

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