Brasil bate recorde de exportações e Lula celebra: "país voltou a ser protagonista"
Apesar do tarifaço de Trump, vendas somam US$ 349 bilhões em 2025, impulsionadas por novos mercados e indústria de transformação
247 - O Brasil alcançou em 2025 o maior volume de exportações de sua história, totalizando US$ 349 bilhões em vendas ao exterior. O resultado consolida uma retomada do protagonismo brasileiro no comércio internacional e ocorre em um contexto global marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas regras do comércio. O desempenho reforça a ampliação de oportunidades de emprego e renda e indica uma diversificação relevante dos destinos das exportações nacionais.
Ao comentar o resultado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que os números refletem um novo momento do país. “Retrato de um país que voltou a ser protagonista no cenário global e a gerar novas oportunidades de emprego e renda”, escreveu o presidente em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (7). As informações constam de levantamento da balança comercial divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e de postagens oficiais de integrantes do governo.
Segundo os dados oficiais, o valor exportado em 2025 superou em US$ 9 bilhões a melhor marca anterior, registrada em 2023. Nos últimos três anos, o Brasil abriu mais de 500 novos mercados internacionais para produtos nacionais, mais do que o dobro do número alcançado nos quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL). O avanço ocorreu mesmo diante de um cenário internacional adverso, com disputas comerciais e instabilidade geopolítica.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), destacou que o crescimento brasileiro superou a média global. Em publicação feita na terça-feira (6), ele afirmou: “Quando o comércio global avança, ganha a sociedade. Em 2025, o Brasil alcançou um recorde histórico de exportações, com US$ 349 bilhões em vendas ao exterior — US$ 9 bilhões acima do melhor resultado anterior. Crescemos 3,5% em valor e 5,7% em volume, mais que o dobro da média global prevista pela OMC”.
De acordo com o MDIC, o Brasil conseguiu ampliar suas exportações para 53,3% dos países com os quais mantém relações comerciais ao longo de 2025. Mais de 40 mercados registraram volumes recordes de compras de produtos brasileiros, evidenciando a estratégia de abertura e consolidação de novos parceiros comerciais. Entre os países que mais ampliaram as importações estão Canadá, com crescimento de 14,8%, Índia (30,2%), Noruega (8,8%), Paquistão (132,6%), Paraguai (6,9%), Suíça (53,7%), Turquia (7,9%) e Uruguai (29,5%).
Em nota oficial, Alckmin ressaltou o esforço do país para expandir sua presença internacional. “Em meio às dificuldades geopolíticas, conseguimos conquistar novos mercados e ampliar os que já tínhamos”, afirmou o vice-presidente e ministro.
Na contramão desse movimento, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram em 2025. O volume vendido ao país caiu de US$ 40,37 bilhões em 2024 para US$ 37,72 bilhões no ano seguinte, uma redução de 6,6%. Com isso, o déficit comercial brasileiro com os norte-americanos aumentou e atingiu US$ 7,53 bilhões no período.
Um dos principais motores do desempenho recorde foi a indústria de transformação, responsável pela conversão de matérias-primas em produtos de maior valor agregado. As exportações do setor alcançaram US$ 189 bilhões, cerca de R$ 1,02 trilhão, o maior valor já registrado. Diversos produtos bateram recordes de vendas externas, entre eles carne bovina, carne suína, alumina, veículos para transporte de mercadorias, caminhões, café torrado, máquinas e aparelhos elétricos, além de máquinas e ferramentas mecânicas, produtos de perfumaria, cacau em pó, instrumentos de medição e defensivos agrícolas.
A indústria extrativa também apresentou resultados expressivos. O minério de ferro somou 416 milhões de toneladas exportadas, enquanto o petróleo alcançou 98 milhões de toneladas em embarques ao exterior. Já os bens agropecuários registraram crescimento de 3,4% em volume e de 7,1% em valor, reforçando o peso do setor na balança comercial brasileira e contribuindo para o desempenho histórico alcançado pelo país em 2025.



