"Caso Evergrande não será crise sistêmica", diz Elias Jabbour

“Existe sim o risco, mas entre existir a possibilidade e acontecer a crise sistêmica há uma distância muito grande”, disse à TV 247 o professor da UERJ, citando o modelo do sistema financeiro chinês como um fator que impede o início de uma crise generalizada. Assista

Elias Jabbour
Elias Jabbour (Foto: Reprodução | Reuters/Aly Song)
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247 - O professor de Economia da UERJ Elias Jabbour, estudioso sobre China, falou à TV 247 sobre o caso da empresa chinesa Evergrande, que assustou o mercado financeiro mundial na última semana em função do risco de calote oferecido pela incorporadora.

Segundo Jabbour, apesar de existir o risco de uma crise sistêmica surgir a partir do caso Evergrande, as chances são mínimas. “O potencial para virar uma crise sistêmica sempre existe. Os efeitos de uma crise de uma empresa como essa no conjunto da economia nunca é pequeno. Então existe sim o risco, mas entre existir a possibilidade de uma crise sistêmica e acontecer a crise existe uma distância muito grande”.

O professor apontou o modelo do sistema financeiro chinês como um fator que impede o início de uma crise generalizada. “O seu sistema financeiro é estatal e a China opera seus empréstimos em moeda local. Então não tem como quebrar o sistema financeiro chinês porque ele é estatal e tem o poder de emissão de moeda local”. Além disso, segundo Jabbour, a moeda chinesa também é um empecilho. “A conta de capitais da China é fechada, o ‘yuan’ não é uma moeda conversível, então não tem como uma crise dessa levar a uma crise global do capitalismo, justamente porque a China não tem esse poder todo por conta da não conversibilidade da sua moeda”.

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O especialista também confirmou a existência de uma bolha imobiliária no mercado chinês, mas destacou que o governo local tem força e vontade política suficientes para intervir e desinflar a bolha. “Existe uma bolha imobiliária na China sim. Existe essa bolha, mas a China tem mecanismos institucionais suficientes para ir lá e desinflar essa bolha. Quando o Xi Jinping, desde 2015, fala que apartamento foi feito para morar e não para especular, quando ele começa uma onda regulatória sobre vários setores da economia e fala na superação de três montanhas - custos de saúde, de educação e de imóveis - para a prosperidade comum, ele já está mandando recados para esses três setores em particular de que alguma coisa vai acontecer”.

“Até os passarinhos sabem que o Estado uma hora vai intervir no mercado imobiliário. Então essa é a diferença, o Estado pode intervir a qualquer momento porque tem o poder político para isso”, completou.

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