Depois do petróleo, Bolsonaro pressiona para baixar conta de luz, de olho na eleição de 2022

De acordo com assessores do Planalto, o governo Jair Bolsonaro estuda transferir R$ 20 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo setorial financiado por consumidores para criar políticas públicas e, com isso, baixar o valor das contas de luz

(Foto: Aneel/Divulgação)
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247 - De olho na eleição presidencial de 2022, Jair Bolsonaro pressiona as equipes econômica e de energia para baixar a conta de luz. O objetivo é usar R$ 70 bilhões de um fundo setorial e tributos federais para reduzir tarifas. De acordo com estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), neste ano, o reajuste tarifário será de cerca de 13% este ano. A informação foi publicada pelo jornal Folha e S.Paulo.

Bolsonaro afirmou, no sábado (20), que vai "meter o dedo na energia elétrica". "Assim como eu dizia que queriam me derrubar na pandemia pela economia fechando tudo, agora resolveram me atacar na energia", disse Bolsonaro a apoiadores em Brasília (DF).

De acordo com assessores do Planalto, o governo estuda transferir R$ 20 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), um fundo setorial financiado por consumidores para criar políticas públicas, como redução de tarifas, especialmente para os mais pobres.

Pesquisa Datafolha no final de janeiro mostrou aumento de oito pontos percentuais (p.p) na reprovação ao governo Bolsonaro, que chegou a 40%, nove pontos acima da aprovação (que recuou de 37% para 31%).

O aumento da inflação é um dos fatores que põe em xeque a popularidade de Bolsonaro. A tentativa de baixar a conta de luz também veio após a Petrobrás anunciar, na quinta-feira (18), reajustes de 10,2% e 15,1% para gasolina (o quarto deste ano) e para o diesel (terceiro de 2021), respectivamente.

No contexto de aumento das tarifas de energia, Bolsonaro demitiu Roberto Castello Branco da estatal e nomeou o general Joaquim Silva e Luna. Assessores do Planalto afirmaram que, para os militares, a gota d'água foi a declaração de Castello Branco de que uma eventual paralisação dos caminhoneiros por causa do aumento do diesel "não era problema da Petrobrás".

Caso a tarifa seja realmente baixada, será mais um revés para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que vem perdendo a queda de braço com a ala militar que tenta colocar em prática uma agenda populista. Lembrando que Guedes era contra a concessão um novo auxílio emergencial, mas o Planalto estuda uma maneira de prorrogar a ajuda governamental.

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