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Digimais concentrava poder em núcleo ligado a Edir Macedo

Investigação da Polícia Federal atinge cúpula do banco digital e expõe estrutura de governança formada por aliados do controlador da instituição

Digimais concentrava poder em núcleo ligado a Edir Macedo (Foto: Reprodução | Divulgação )
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O Banco Digimais, alvo da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (23), mantinha uma estrutura de governança fortemente concentrada em executivos ligados ao empresário e líder religioso Edir Macedo, controlador da instituição desde 2020. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Globo.

A investigação apura suspeitas de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional e tem entre seus principais alvos integrantes da alta administração do banco. No centro das apurações estão João Luiz Urbaneja, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, e seu filho, Thiago Rodrigues Urbaneja, que ocupavam simultaneamente os dois cargos mais relevantes da estrutura decisória da instituição.

João Luiz Urbaneja presidia o Conselho de Administração do Digimais, responsável pela supervisão e pelas diretrizes estratégicas da companhia. Já Thiago Rodrigues Urbaneja exercia a presidência executiva do banco, comandando as operações diárias da instituição financeira. A combinação dos cargos colocava pai e filho em posições-chave na condução dos negócios do banco.

A ascensão da dupla ocorreu após a consolidação do controle do então Banco Renner por Edir Macedo. Em 2020, o empresário adquiriu a totalidade das ações da instituição financeira, promoveu sua transformação em banco digital e adotou a marca Digimais. João Luiz Urbaneja assumiu o comando da instituição naquele período e, em maio de 2024, passou a ocupar também a presidência do Conselho de Administração.

Segundo a reportagem, embora não haja indícios de participação institucional da Igreja Universal na gestão do banco, executivos ligados ao círculo empresarial de Macedo passaram a ocupar posições relevantes na administração da instituição ao longo dos últimos anos.

Além dos integrantes da família Urbaneja, a Operação Miragem também atingiu outros membros da diretoria. Entre eles estão João Alves de Campos e Marcelo de Lima Brasil, ambos diretores estatutários e integrantes do grupo responsável pelas principais decisões estratégicas e operacionais do banco.

Banco afirma colaborar com as investigações

Em nota divulgada após a operação, o Digimais informou que está cooperando com as autoridades responsáveis pela investigação.

Segundo o comunicado, o banco "permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso".

A instituição acrescentou ainda que "reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes".

Até a publicação da reportagem original, a defesa dos investigados não havia se manifestado.

Da origem como Banco Renner à transformação em banco digital

Fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), o Banco Renner foi criado pela família homônima e atuou durante décadas no mercado financeiro brasileiro. A mudança mais significativa de sua trajetória ocorreu em 2020, quando Edir Macedo assumiu o controle integral da instituição.

O empresário já possuía participação minoritária no banco desde 2009, quando adquiriu 40% das ações. Com a compra do controle total, promoveu uma reestruturação do negócio, alterando a marca para Digimais e direcionando suas operações para o segmento digital.

Nos anos seguintes, entretanto, a instituição passou a enfrentar dificuldades financeiras. Em 2022, registrou prejuízo de R$ 740 milhões, segundo seu balanço financeiro.

Disputas judiciais e questionamentos sobre carteiras de crédito

Além das investigações policiais, o Digimais também se tornou alvo de questionamentos judiciais relacionados à comercialização de carteiras de crédito.

Desde novembro do ano passado, a gestora Yards, responsável pela administração de um fundo de direitos creditórios, trava uma disputa judicial com o banco. A empresa sustenta que parte dos créditos apresentados pelo Digimais continha problemas de lastro e inconsistências que dificultariam a cobrança dos valores.

De acordo com a ação, pelo menos 22 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), entre as 54 mil oferecidas ao fundo, apresentariam irregularidades. A parcela restante também teria inconsistências consideradas relevantes pela gestora.

Em março deste ano, a revista Piauí revelou suspeitas de práticas irregulares envolvendo a venda de carteiras de crédito pelo banco. Uma das acusações é analisada pela 13ª Vara Cível de São Paulo em processo movido pelo fundo EXP1, que atribui ao Digimais a comercialização de R$ 650 milhões em carteiras de crédito supostamente falsas.

Já nesta semana, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo informou que carteiras de crédito originadas pelo Digimais teriam sido repassadas a outras instituições financeiras com índices de inadimplência próximos de 60%.

As investigações da Polícia Federal prosseguem para apurar a extensão das suspeitas envolvendo a instituição financeira e seus dirigentes.

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