Ford deixou o Brasil porque não há demanda e nem inovação tecnológica no país, explica economista Juliane Furno

“O que vai vingar aqui, se a gente continuar como a gente está, é a indústria de chinelo, que é a de menor valor adicionado”, disse a especialista à TV 247. Assista

Juliane Furno
Juliane Furno (Foto: Divulgação)
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247 - A economista Juliane Furno explicou à TV 247 os fatores que motivaram a Ford a anunciar na última semana o encerramento de sua produção no Brasil e a desativação de três fábricas no país, levando milhares ao desemprego e afetando toda a cadeia produtiva.

Segundo Juliane, a indústria automomotiva passa por um processo de transformação em todo o mundo, e isto afeta não só o Brasil. Segundo ela, este setor busca atualmente atender novas demandas e buscar áreas com forte inovação tecnológica. “A indústria está passando por um processo de reorganização global, então não dá para culpar só a dinâmica da economia brasileira. É um sistema em que essas multinacionais estão tentando atender a nova demanda, que não está mais no mercado europeu e norte-americano, uma reacomodação no próprio perfil da demanda por carros mais populares e na própria transformação tecnológica, da inteligência artificial”.

A especialista explicou que o Brasil fica para trás em todos os aspectos desejados pela indústria automotiva nesse momento, já que no mercado nacional não há demanda, dada a falência das famílias, e o Brasil não se apresenta como um polo tecnológico. “O Brasil é um lugar que não tem demanda, que o mercado interno está completamente dirimido, ou seja, a gente está em um mercado estagnado e que não tem gente com dinheiro para comprar carro. A gente não atende ao perfil de diferenciação de produtos, com a produção de novos carros e a estética unificada, e a gente também não tem mais um sistema nacional de inovação própria, inclusive o próprio fato de cortarem 25% do orçamento de ciência e tecnologia é sintomático de que o Brasil não é o lugar da fronteira tecnológica. O que vai vingar aqui, se a gente continuar como a gente está, é a indústria de chinelo, que é a de menor valor adicionado”.

“Então por um lado há essa reorganização global e há também essa dinâmica catastrófica na economia brasileira no último período que é a ausência de política industrial”, concluiu.

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