Governo investiu R$ 1,1 bilhão nos Correios para privatizar a empresa

Nos últimos dois anos os Correios fizeram investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão em infraestrutura para aumentar atrativos para a privatização

(Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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247 - Nos últimos dois anos os Correios fizeram investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão em infraestrutura para aumentar atrativos para a privatização. Segundo o general Floriano Peixoto, presidente da estatal, os investimentos reduziram custos e aumentaram investimentos e o incremento de caixa fizeram com que a estatal operasse com resultado financeiro positivo.

"Os Correios se reafirmam, portanto, como uma empresa dinâmica, eficiente, competitiva e adaptada à realidade e às tendências do mercado. Esse fortalecimento, por fim, a torna atraente ao interesse de potenciais investidores, o que pode contribuir para que o Governo alcance o melhor resultado possível no processo de desestatização do setor postal", afirmou Peixoto.

Desde que o general assumiu o posto, além do investimento de R$ 670 milhões, também foram destinados cerca de R$ 430 milhões para BTS (ampliação da infraestrutura de tratamento de encomendas).

Foram gastos R$ 313 milhões para a aquisição de 13 mil unidades de veículos, com intuito de ampliar e modernizar a frota; R$ 101 milhões em ativos de tecnologia; R$ 153 milhões na automação do tratamento de objetos; e R$ 430 milhões foram investidos para a ampliação da infraestrutura de tratamento de encomendas como, por exemplos, uma expansão nos centros de Valinhos, Brasília e Curitiba (internacional).

"Vinculados à expansão dos negócios e aos últimos resultados, esses números comprovam que, de fato, os Correios estão em processo de modernização, investindo em sua capacidade produtiva e de infraestrutura - o que possibilita a melhoria da qualidade dos serviços prestados aos clientes", diz a estatal.

Todo esse investimento, no entanto, será vendido para a iniciativa privada.

“Não faz nenhum sentido a privatização dos Correios”

O professor Roberto Moraes, em entrevista à TV 247, criticou o projeto do governo Bolsonaro de privatização dos Correios, em tramitação na Câmara dos Deputados. Para ele, a medida não faz sentido, pois, além de dar lucro, os Correios são estratégicos no atendimento à população de produtores locais.

“Ainda não se sabe, ou talvez sim, porque a direção atual dos Correios está demorando tanto em divulgar o balanço do ano passado. A maior parte das empresas já fez isso. Uma matéria do Valor, de novembro do ano passado, identificou que nos três primeiros trimestres de 2020, os Correios já tinham apurado um lucro de 836 milhões de reais. Então, a expectativa é de que seja divulgado o lucro em 2020 superior a 1 bilhão de reais. É possível que ultrapasse o maior lucro da década, que foi de 1.1 bilhão de reais”, disse.

"Isso mostra de forma significativa que os Correios estão gerando resultado, e que não faz nenhum sentido sua privatização. Por dois motivos: primeiro, porque ele continua dando lucro, a despeito de alguns problemas de gestão pelos quais os Correios passaram. Além disso, como vimos anteriormente, eles são fundamentais para a entrega de mercadorias que são produzidas localmente, de pequenos produtores, que não vão ter a logística de entrega, a rede de empresas como Amazon, Mercado Livre e Magalu. Eles vão ser obrigados a vender no market place deles e deixar 10%, 15% ou 20% para a plataforma fazer isso. É por isso que os Correios são estratégicos. Não só pela rede de capilaridade enorme e expertise que ele tem, mas também porque ele atende a uma parte de produtores locais que não vão ser atendidos por esses outros mecanismos”, completou o professor. 

Questionado se estes produtores não poderiam simplesmente migrar para as plataformas das grandes empresas, Roberto afirmou que existe um problema relacionado ao volume que as grandes empresas, para favorecer o lucro, exigem dos produtores: “Eles já entregam. Parte deles utiliza os Correios e outra parte utiliza também esse market place. O grande problema é que aquilo que for mais vendido, eles vão tentar comprar em volume. Segundo, eles passam a ter uma concorrência muito mais ampla. Inclusive, pode haver boicote. Alguns produtos locais se colocados em um market place, à medida que ele tem menos visualidade, ele vende menos para favorecer um outro concorrente onde a Magalu tenha margem de lucro maior. Estamos falando de milhões de produtos”.

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