Ibovespa recua em pregão de ajustes com vencimento de opções
O último pregão da semana teve dados mostrando que a economia brasileira cresceu mais do que economistas esperavam
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 16 Jan (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, abaixo dos 165 mil pontos, em pregão marcado por ajustes e vencimento de opções sobre ações, após renovar máximas na véspera, quando tocou os 166 mil pontos pela primeira vez.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,46%, a 164.799,98 pontos, após marcar 165.871,66 na máxima e 164.099,89 pontos na mínima do dia. Ainda assim, subiu 0,88% na semana. O volume financeiro na sessão somou R$34 bilhões.
O último pregão da semana teve dados mostrando que a economia brasileira cresceu mais do que economistas esperavam em novembro, o que pode deixar o Banco Central confortável em esperar um pouco mais para cortar a Selic.
O IBC-Br, calculado pelo BC e considerado um sinalizador do PIB, subiu 0,7% em novembro sobre o mês anterior, segundo dado dessazonalizado. Estimativas em pesquisa da Reuters apontavam um avanço de 0,30%.
Tal cenário, porém, não muda a perspectiva de um ciclo de queda da taxa básica de juros no Brasil em 2026, que tem sido um dos principais argumentos para as expectativas positivas no mercado em relação às ações brasileiras.
Para a especialista em mercado de capitais Nicole Malka, sócia da The Hill Capital, a bolsa foi influenciada pelo vencimento de opções, que eleva a volatilidade e gera ajustes técnicos, além de realização de lucros após altas recentes.
Malka também chamou a atenção para a alta dos juros futuros, que pressiona ações mais sensíveis ao crédito e ao consumo. "A divulgação do IBC-Br acima do esperado, sem dúvidas, reforça a percepção de juros elevados por mais tempo", acrescentou.
No exterior, Wall Street teve uma sessão de variações contidas, com o S&P 500 encerrando o dia com decréscimo de 0,06% antes do fim de semana prolongado nos Estados Unidos.
DESTAQUES
- VAMOS ON caiu 9,09%, corrigindo parte da sequência de altas dos últimos quatro pregões, quando acumulou uma valorização de 20%. No começo da semana, a empresa de locação de caminhões, máquinas e equipamentos divulgou prévia dos resultados do quarto trimestre do ano passado, com receita líquida de R$1,48 bilhão.
- DIRECIONAL ON recuou 5,7%, após prévia operacional do quarto trimestre divulgada na véspera, com vendas líquidas que alguns analistas avaliaram que ficaram abaixo de suas expectativas. No setor, CYRELA ON, que também divulgou dados operacionais na véspera, perdeu 1%. O índice do setor imobiliário cedeu 1,25%.
- BRAVA ENERGIA ON fechou em queda de 5,05%, após subir 2,6% pela manhã, tendo no radar acordo para comprar participação de 50% da malaia Petronas no campo de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte, ambos na Bacia de Campos, por US$450 milhões. No setor, PRIO ON subiu 0,89% e PETRORECONCAVO ON caiu 2,27%.
- IRB(RE) ON subiu 1,89%, reagindo após um começo de ano mais negativo, com a queda acumulada em 2026 até a véspera superando 4%.
- PETROBRAS PN avançou 0,79%, em sessão de alta do preço do petróleo no exterior. A petrolífera também divulgou na véspera que sua produção de petróleo alcançou 2,4 milhões de barris por dia (bpd) em 2025. Ainda no radar, analistas do BTG Pactual passaram a adotar uma recomendação neutra para as ações da estatal. PETROBRAS ON valorizou-se 0,27%.
- VALE ON terminou com variação positiva de 0,04%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia. CSN ON figurou como destaque de queda, com declínio de 4,42%, com agentes financeiros ainda analisando com certo ceticismo planos da companhia de vender ativos para reduzir a dívida.
- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 0,83%, em sessão de ajuste negativo nos bancos do Ibovespa, com BANCO DO BRASIL ON em baixa de 0,42%, BTG PACTUAL UNIT <BPAC11.SA> perdendo 1,23% e SANTANDER BRASIL UNIT com decréscimo de 0,12%. BRADESCO PN encerrou com acréscimo de 0,05% após recuar em parte da sessão.
- CVC ON, que não faz parte do Ibovespa, encerrou com um tombo de 10,74%, após uma sessão volátil, tendo no radar anúncio de troca no comando da operadora de turismo na noite da véspera - Fabio Mader assumirá o lugar de Fabio Godinho. Apesar da queda, a ação ainda acumula valorização de 11,57% em 2026, após ganho de 56,5% em 2025.
- PETTENATI PN, que não faz parte do Ibovespa, disparou 71,02%, após anúncio de oferta de aquisição de ações pela empresa com preço de R$8,75 por papel, para converter o seu registro de companhia aberta de categoria "A" para "B" e deslistar as ações. Na véspera, as ações PN da companhia tinham fechado a R$ 4,59.


