Petrobras define empresas para concluir fábrica de fertilizantes de R$ 5 bilhões em MS
Nova Engevix, Engeko, ETC, Enfil, Carioca, Monto Industrial, Mendes Júnior e PowerChina executarão as obras da UFN-3, prevista para ser concluída em 2029
247 - A Petrobras anunciou as empresas vencedoras das licitações para a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), em Três Lagoas (MS). Foram selecionadas a ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção, Engeko Engenharia, o consórcio Enfil/Carioca, a Nova Engevix Engenharia e Projetos, o consórcio Monto Industrial/Mendes Júnior e a parceria entre Nova Engevix e PowerChina, que ficarão responsáveis pelos diferentes lotes do empreendimento estratégico.
O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em abril de 2026, a retomada das obras após confirmar a viabilidade econômica do projeto. A estatal prevê investir cerca de R$ 5 bilhões na conclusão da unidade, cuja entrada em operação está prevista para 2029.

As obras da UFN-3 começaram em 2011, mas foram interrompidas em 2014 em meio à crise enfrentada pelo setor da construção pesada e ao processo de reestruturação da Petrobras. Atualmente, aproximadamente 81% da estrutura já está concluída.
Para executar a fase final do empreendimento, a Petrobras optou por dividir a obra em diferentes lotes, estratégia que busca ampliar a concorrência entre as empresas participantes e reduzir os riscos associados à concentração de contratos.
Os contratos contemplam desde a infraestrutura básica, como pavimentação das áreas industriais, até etapas mais complexas, incluindo a instalação das unidades de produção de amônia, sistemas de granulação de ureia, automação industrial e fornecimento de energia.
Empresas vencedoras:
- Lote 1: consórcio formado por ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção e Engeko Engenharia
- Lote 2: Engeko Engenharia
- Lote 3: consórcio Enfil/Carioca, com proposta de R$ 579,6 milhões.
- Lote 4: Nova Engevix Engenharia e Projetos
- Lote 5: consórcio Monto Industrial/Mendes Júnior
- Lotes 6, 8 e 10: parceria entre Nova Engevix e PowerChina
Redução das importações
Quando entrar em operação, a UFN-3 terá capacidade para produzir cerca de 3,6 mil toneladas diárias de ureia e 2,2 mil toneladas de amônia. A expectativa é fortalecer a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, reduzindo a dependência brasileira de produtos importados, especialmente da Rússia.
Atualmente, o Brasil importa aproximadamente 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa dependência torna o país mais vulnerável a oscilações no mercado internacional e a crises que afetam o fornecimento global de insumos.
Fortalecimento da cadeia de abastecimento
A produção de fertilizantes nitrogenados utiliza o gás natural como principal matéria-prima. Dessa forma, a ampliação da capacidade industrial da Petrobras deverá contribuir para fortalecer a cadeia de abastecimento do setor agrícola brasileiro.
Além do impacto sobre a segurança do fornecimento de fertilizantes, a conclusão da UFN-3 deverá impulsionar a economia regional. A estimativa é de que cerca de 8 mil empregos sejam gerados durante a fase de construção, com reflexos sobre o comércio, os serviços e a cadeia produtiva local.
A localização da unidade também é considerada estratégica. Três Lagoas está próxima de importantes polos do agronegócio do Centro-Oeste e possui acesso a corredores logísticos que facilitam a distribuição da produção para outras regiões, como Sul e Sudeste.
Produção de insumos para o agronegócio
A amônia é matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes, além de ser utilizada em diversos segmentos da indústria química e em sistemas de refrigeração. Já a ureia figura entre os fertilizantes nitrogenados mais consumidos no Brasil, cuja demanda anual gira em torno de 8 milhões de toneladas.
Segundo a Petrobras, a produção da UFN-III deverá suprir aproximadamente 15% da demanda nacional por ureia. O fertilizante é amplamente empregado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de ser utilizado na alimentação de ruminantes na pecuária.
A localização da fábrica, em Três Lagoas, é considerada estratégica por estar próxima ao Centro-Oeste, região que concentra cerca de 40% da demanda brasileira por ureia. A produção local deverá ampliar a segurança no abastecimento do mercado interno, reduzir a dependência das importações e fortalecer as cadeias do agronegócio e da agroindústria.
A estatal destaca ainda que a unidade foi projetada com equipamentos e tecnologias voltados para elevados padrões de eficiência industrial. A decisão de retomar o investimento ocorreu após estudos de viabilidade técnica e econômica, levando em consideração a expansão do mercado de gás natural, a necessidade de reduzir a dependência externa de fertilizantes e o fortalecimento da produção nacional.
Outras ações da Petrobras na região
Além das obras da fábrica, a Petrobras anunciou a ampliação do Programa Autonomia e Renda no município de Três Lagoas. A iniciativa prevê a oferta de aproximadamente 1.400 vagas em cursos de formação inicial e continuada, destinados a pessoas com escolaridade a partir do 5º ano do ensino fundamental, além de cursos técnicos voltados a candidatos com ensino médio completo.
Desenvolvido em parceria com o SESI, o SENAI e os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, o programa atende moradores de áreas de influência das operações da Petrobras e busca ampliar as oportunidades de qualificação e inserção profissional no setor de óleo e gás, com prioridade para pessoas em situação de vulnerabilidade social.
No Mato Grosso do Sul, a companhia também mantém outros cinco projetos socioambientais, que somam investimentos de R$ 27 milhões até 2030. Duas dessas iniciativas são desenvolvidas exclusivamente em Três Lagoas, nas áreas de educação e desenvolvimento econômico sustentável, enquanto as demais são voltadas à conservação florestal. Ao todo, cerca de 8 mil pessoas são beneficiadas pelos projetos no estado.
