Bolsonaro arranjou um jeito de dar o Auxílio Brasil aos bancos, diz Eduardo Moreira sobre empréstimo consignado

"Até os bancos privados acharam que era 'ruindade'. Eu nunca vi isso acontecer na minha vida", observa o economista

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(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil 247 | Isac Nóbrega/PR | Reprodução | Leonardo Sá/Agência Senado)


247 - Em entrevista à TV 247, o economista Eduardo Moreira repudiou a decisão de Jair Bolsonaro (PL) que, em reunião com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), nesta segunda-feira (8), pediu que as instituições bancárias liberassem crédito consignado de R$ 2 mil para os beneficiários do Auxílio Brasil.

“Ele [Bolsonaro] quer transformar a parte eleitoreira da história, a compra de votos, de R$200 [valor correspondente ao aumento do benefício do Auxílio Brasil de R$400 para R$600] em R$2.000. Ele quer que o cara tenha a sensação de que ganhou dois mil reais. Bolsonaro não está nem um pouco preocupado com o que vai acontecer, lá em janeiro de 2023, com quem pegou o empréstimo. Eles só estão preocupados até a eleição”, pontuou.

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“É um absurdo total. Ele arranjou um jeito de pegar o Auxílio Brasil e dar para os bancos. O dinheiro que é para ir para os mais pobres, Bolsonaro arranjou um jeito de dar direto para os mais ricos do país [banqueiros]”, complementou o economista. 

Na proposta de Bolsonaro, não há definição para um limite de juros que pode ser cobrado. Ou seja, os bancos ficariam livres para decidir quanto ‘tirar’ dos mais de 20 milhões de beneficiários do programa. Na opinião de Moreira, os bancos privados conseguiram fazer uma leitura de que seria uma disputa desumana entre pessoas que vivem na miséria e taxas de juros sem limites.

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“A sociedade fez tanto barulho mostrando o que era isso que até os bancos disseram que não iam dar o crédito [consignado] porque achavam que era ruim para a imagem das instituições, muita maldade, 'ruindade'”, relatou.

“Eu nunca vi isso acontecer na minha vida. O banco deixar de fazer alguma coisa porque acha que é uma maldade. Isso é para você ver o tamanho da maldade que o Bolsonaro está empurrando para as pessoas”, finalizou.

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