Delgatti disse tudo que poderia ser dito e tem provas, diz João Cezar de Castro Rocha
Professor afirmou que não é possível naturalizar o "absurdo" da trama golpista. Assista na TV 247
247 - O professor João Cezar de Castro Rocha compartilhou em entrevista à TV 247 suas impressões sobre o depoimento do hacker Walter Delgatti Neto à CPMI dos atos golpistas de 8 de janeiro. Ele ressaltou que não basta a palavra de Delgatti, e que é preciso analisar o conjunto probatório. No entanto, segundo ele, os elementos apresentados pelo "hacker de Araraquara" são sólidos e ele possui as provas.
Em seu depoimento, Delgatti disse que Bolsonaro lhe concederia um indulto caso ele fosse preso por ataques às urnas eletrônicas. Ele disse que o marqueteiro da última campanha presidencial de Bolsonaro, Duda Lima, queria que ele criasse um código 'fake' para uma urna eletrônica com o objetivo de enganar a população e desacreditar o processo eleitoral brasileiro. O hacker assegurou que Bolsonaro teria dado aval para o plano.
"Na primeira parte do depoimento, Delgatti disse rigorosamente tudo que poderia ser dito, de maneira clara e assertiva, sem exitação. E oferecendo ou pelo menos dizendo possuir um conjunto probatório significativo", avaliou Castro Rocha.
Em relação a esses elementos, o analista explicou: "Ele disse que foi levado para o gabinete de Bolsonaro, e ninguém negou. Os filhos então disseram que o pai apenas queria consultar... Não importa. A extrema direita no século 21 aprendeu a seduzir corações e mentes, agindo passo a passo. Eles conseguiram naturalizar o absurdo, uma série de crimes. Um presidente da República não pode receber um hacker, condenado por estelionato, para fazer consulta de espécie alguma", criticou o professor.
Ele lembrou ainda que Bolsonaro disse em uma live que teria um encontro com um 'hacker do bem'. "Não podemos naturalizar esse absurdo. Fazê-lo é condenar a democracia no mundo inteiro", frisou. ASSISTA NA TV 247:
