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“Flávio Bolsonaro é um picareta e esse dinheiro de filme é propina”, diz o ex-bolsonarista Julian Lemos

Ex-aliado de Jair Bolsonaro afirma que senador não suportaria uma pré-campanha presidencial e prevê novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro

Julian Lemos e Flávio Bolsonaro (Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados | Andressa Anholete/Agência Senado)
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247 - O ex-deputado federal Julian Lemos comentou as recentes revelações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e a produção de um filme associado ao bolsonarismo. Em entrevista ao jornalista Joaquim de Carvalho, no Boa noite 247, o ex-bolsonarista afirmou que não se surpreende com o caso e acusou o filho de Jair Bolsonaro de utilizar o projeto audiovisual como mecanismo de arrecadação ilícita.

A entrevista repercutiu declarações recentes de Flávio Bolsonaro, que admitiu ter se encontrado pessoalmente com Daniel Vorcaro após inicialmente afirmar que havia mantido apenas contato telefônico com o empresário. Segundo Julian Lemos, a justificativa apresentada pelo senador não convence.

“Não tenho outro adjetivo. Para mim, Flávio é um picareta”, afirmou Julian. “Ele não se contém na sua ganância”, afirmou.

O ex-parlamentar também descartou a versão de que os recursos discutidos no caso seriam destinados exclusivamente ao financiamento de um filme. Segundo ele, as contradições ao tentar explicar a oriegem do financiamento demmonstram que haveria um esquema de arrecadação envolvendo diferentes grupos interessados.

“Não acredito em relação a esse tal financiamento de filme, isso não existe, isso aí é dinheiro de propina”, declarou. “Ele vendeu o mesmo produto a muita gente”, disse.

Julian Lemos afirmou ainda que os valores movimentados seriam muito superiores ao efetivamente investido na produção audiovisual.

“Ele apurou muito dinheiro nesse filme. E gastou? Não gastou 10% do que acham que ele gastou”, disse. “Esse dinheiro é para enriquecimento ilícito mesmo. Essa é a prática deles”, afirmou sem apresentar provas.

Ao analisar os possíveis desdobramentos do caso, Julian afirmou acreditar que Flávio Bolsonaro não conseguirá sustentar uma candidatura presidencial diante das investigações e das revelações que ainda podem surgir.

“Eu não dou uma semana, no máximo dez dias, para outras bombas estourarem”, afirmou. “Ele não vai aguentar”, acredita.

Segundo Julian, integrantes do núcleo político em Brasília já avaliam que novos vazamentos podem ampliar ainda mais a crise envolvendo a família Bolsonaro. Ele afirmou também que o senador dependeria diretamente do mandato para evitar problemas judiciais.

“Primeiro, ele não tem condição de ficar sem o mandato. Se ficar, é preso”, declarou.

Julian Lemos sustentou que os rastros financeiros do suposto esquema dificultariam qualquer tentativa de ocultação dos recursos movimentados.

“Dinheiro é rastreado demais”, afirmou. “Uma coisa é você esconder um milhão, outra coisa é você esconder quinhentos milhões”, acrescentou.

Clã prefere perder para Lula

Em outro momento da conversa, o ex-deputado comentou a relação entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a família Bolsonaro. Segundo ele, Michelle nunca foi plenamente aceita pelo núcleo familiar.

“Michelle não é tida pela família como uma Bolsonaro. Ela é mulher do pai”, declarou.

Julian também relatou conflitos internos envolvendo Michelle e o vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente.

“Carlos Bolsonaro não suporta ela e ela muito menos”, relatou ele, que conviveu com o clã Bolsonaro.

Ao comentar o ambiente interno da família Bolsonaro, Julian classificou o grupo como uma “quadrilha familiar”. Segundo ele, a aproximação política com Jair Bolsonaro traz desgaste para aliados e lideranças conservadoras.

“A família Bolsonaro é uma espécie de buraco negro”, declarou. “Estar perto de Bolsonaro é arrastar o cara para a lama.”

Julian também afirmou que a família preferiria uma eventual vitória do presidente Lula nas eleições a transferir seu capital político para outros nomes da direita.

“A família Bolsonaro prefere que Lula vença a eleição, mas não vai dar o espólio deles a ninguém”, disse.

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