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“Não vamos subir em palanque com Aécio”, diz Rogério Correia sobre posição do PT em Minas

Deputado afirma que partido veta alianças com ex-governador mineiro e defende chapa ampla para 2026 sem participação de Aécio

“Não vamos subir em palanque com Aécio”, diz Rogério Correia sobre posição do PT em Minas (Foto: Reprodução)

247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o Partido dos Trabalhadores não aceitará qualquer composição política ao lado de Aécio Neves em Minas Gerais nas eleições de 2026. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o parlamentar foi categórico ao comentar as articulações no estado.

“O PT veta qualquer nome do Aécio para compor chapa que estejamos nós no palanque. Nós não vamos subir em palanque com Aécio Neves”, declarou.

A declaração vem em meio às movimentações em torno de uma eventual candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo de Minas. Rogério Correia afirmou que o partido trabalha pela construção de uma aliança capaz de reunir esquerda, centro-esquerda e setores moderados do centro político em Minas Gerais.

Segundo ele, o PT já indicou a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, como nome para disputar o Senado em uma futura chapa majoritária.

“Estamos buscando construir isso”, disse ao comentar a unidade partidária em torno de Rodrigo Pacheco.

Apesar da defesa de uma frente ampla, o deputado ressaltou que não há espaço para aproximação com Aécio Neves, lembrando do golpe de 2016 articulado pelo tucano que levou ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.

“Aécio Neves, junto com Eduardo Cunha e Temer, foram responsáveis. Foi a troika golpista que derrubou Dilma”, afirmou.

O deputado afirmou que o campo progressista precisa reagir politicamente em Minas Gerais diante das projeções eleitorais favoráveis ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

“Se esse Nikolas Chupetinha tem 2 milhões de votos, os deputados do PT têm que ter dois milhões e meio, três milhões”, disse Rogério Correia ao questionar estimativas de crescimento eleitoral do parlamentar bolsonarista.

Correia demonstrou ceticismo em relação a esse avanço e argumentou que, se isso ocorrer, partidos de esquerda também precisam aumentar seu desempenho eleitoral no estado.

“Eu vejo o pessoal falar que o Nikolas Ferreira vai ter mais votos em Minas Gerais do que ele teve da outra vez. Ele teve um milhão e meio de votos, mas falaram que vai ter dois milhões. Eu falo que não é possível”, afirmou.

Rogério Correia defendeu que partidos progressistas se organizem em torno de candidaturas competitivas para ampliar a representação na Câmara dos Deputados e no Senado. Segundo ele, o fortalecimento das bancadas será decisivo para o futuro governo federal e para o enfrentamento à direita no Congresso.

“O nosso pessoal tem que compreender que os nossos deputados têm que ter uma votação grande para atrair, puxar uma chapa nossa também”, declarou.

Ainda segundo o parlamentar, essa estratégia precisa ser adotada não apenas em Minas Gerais, mas em todo o país.

“Essa discussão tem sido feita em Minas Gerais. E acho que isso tem que ser feito no Brasil como um todo. Precisa se unificar em torno de candidaturas combativas para dar o exemplo de puxar a nossa bancada”, disse.


Minas Gerais é estratégico para Lula em 2026

As declarações acontecem em um momento em que Minas Gerais volta a ser considerado peça-chave para a disputa presidencial de 2026. O estado historicamente tem peso decisivo nas eleições nacionais.

Segundo o deputado, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco reúne condições de dialogar com partidos de esquerda, centro-esquerda, centro e até parcelas moderadas da direita, o que pode transformá-lo em peça estratégica para o campo aliado do presidente Lula.

“Ele realmente, como presidente do Senado, resolveu coisas para Minas, como, por exemplo, diminuir muito o pagamento da dívida, que o Zema não conseguiu fazer”, disse.

“É um palanque mais amplo, que não abarca apenas as forças de esquerda e centro-esquerda, mas vai abarcar um pedaço do centro que o Rodrigo Pacheco tem também, em especial o prefeito, e até de um certo setor da direita que ele tem também entrada”, completou.

O deputado ressaltou que Minas Gerais terá papel central na próxima eleição presidencial e lembrou o peso histórico do estado nas disputas nacionais.

“Eles falam que quem ganha em Minas ganha no Brasil, então vamos trabalhar Minas direitinho”, afirmou.

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