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“É urgente criar a TerraBrás”, diz Rogério Correia

Deputado defende estatal para controlar exploração e evitar exportação de matérias-primas sem valor agregado

Rogério Correia (Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

247 - O deputado federal Rogério Correia afirmou que “é urgente criar a TerraBrás” como forma de organizar a exploração das terras raras no Brasil, evitar a exportação de matéria-prima sem valor agregado e garantir que esses recursos estratégicos sejam utilizados em benefício do desenvolvimento nacional.

Em entrevista à TV 247, Correia explicou que a proposta de criação de uma estatal surge diante da relevância crescente desses minerais e do risco de repetição do modelo de exploração adotado no setor minerário nas últimas décadas, marcado pela exportação de recursos naturais sem industrialização no país.

Segundo o parlamentar, as terras raras são fundamentais para a produção de tecnologias modernas. “São minerais que são críticos estratégicos e que são fundamentais para construção de hoje materiais da modernidade. Celulares, por exemplo, só fazemos com uso desses minerais”, afirmou. Ele destacou que o Brasil possui uma das maiores reservas globais, ficando atrás apenas da China, o que amplia a responsabilidade sobre o uso desses recursos.

Correia criticou o modelo histórico da mineração brasileira, baseado na exportação de matéria bruta. “O Brasil virou um exportador de minério, de ferro, de matéria bruta”, disse. Ele relembrou que, no passado, havia uma estratégia nacional com empresas estatais que buscavam agregar valor à produção e gerar empregos. “Nós tínhamos estatizados os elementos essenciais para exploração do minério, principalmente não para exportação, mas para que esse minério fosse trabalhado no Brasil.”

Para o deputado, a ausência de planejamento estatal contribuiu para impactos sociais e ambientais significativos. “Minas Gerais virou um verdadeiro queijo suíço”, afirmou, ao mencionar o histórico de exploração intensiva e os desastres envolvendo barragens. Ele acrescentou que o modelo atual não pode ser repetido com as terras raras. “Não tem condições das terras raras irem para o mesmo caminho”, disse.

A proposta da TerraBrás, segundo Correia, não necessariamente implica a criação de uma nova estrutura do zero, mas a organização de uma empresa com capacidade de coordenar a exploração. “Nós já temos outras empresas do setor minerário que podem exercer essa função de estrategicamente analisar aquilo que vai ser explorado, como vai ser explorado e qual a estratégia que nós temos para que isso beneficie o povo brasileiro.”

Ele argumenta que a estatal teria papel central na definição de diretrizes para o setor, evitando que a exploração fique subordinada a interesses externos. “Não pode ficar à mercê de empresas estrangeiras que vêm aqui, fazem a lavra da terra, mandam embora o recurso e não fica nada para o povo brasileiro”, afirmou.

Correia também destacou a complexidade da extração desses minerais e os riscos ambientais associados. “É um processo complexo, ele remove muita terra e sai muito pouco material”, disse. Para ele, sem controle adequado, a atividade pode causar danos significativos. “Se isso não for feito estrategicamente, respeitando o meio ambiente, isso vai devastar Minas Gerais, por exemplo, Goiás.”

Na avaliação do deputado, a criação da TerraBrás é necessária para garantir que a exploração das terras raras seja conduzida de forma planejada, com retorno econômico, proteção ambiental e geração de benefícios sociais. “É colocar ordem em algo que é muito importante”, afirmou.

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