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Prisão de Thiago Ávila por Israel é "clara provocação”, diz Thomas de Toledo

Historiador e professor afirma que detenção em águas internacionais viola o direito internacional e pode gerar repercussões políticas

Prisão de Thiago Ávila por Israel é "clara provocação”, diz Thomas de Toledo (Foto: Reprodução)

247 - A prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila por forças israelenses em águas internacionais, nas proximidades da Grécia, foi classificada pelo historiador e professor Thomas de Toledo como uma “clara provocação” e violação do direito internacional.

Os ativistas são organizadores da Global Sumud Flotilha, que leva mantimentos e medicamentos ao povo palestino e pelo fim da ocupação da Palestina, e foram sequestrados em águas internacionais na última quinta-feira (30) junto a outros 175 ativistas. Enquanto os demais foram levados para Creta, na Grécia, ele e Saif, outro coordenador da ação, foram transferidos para Israel sem que houvesse comunicação prévia às autoridades brasileiras. Ambos foram levados a Israel sob acusação de suspeita de associação ao terrorismo, o que foi contestado durante o debate.

Ao analisar o caso, Thomas de Toledo destacou a ilegalidade da ação sob o ponto de vista jurídico. “Águas internacionais, nenhum país pode praticar uma ação desse tipo ali sem o mandato do Conselho de Segurança da ONU. Então, do ponto de vista do direito internacional, já começa errado aí”, afirmou.

Para o historiador, a detenção não pode ser compreendida apenas como um episódio isolado, mas como parte de uma estratégia política mais ampla. “Do ponto de vista da política real, o que eles estão fazendo é uma clara provocação”, disse.

Ele também alertou para os desdobramentos políticos do caso no Brasil. “Se eles condenarem o Thiago a algo mais grave, isso é uma situação que excita eles lá e, ao mesmo tempo, vai ter apoio aqui de uma parcela significativa do bolsonarismo, que vai fechar com Israel, com certeza”, declarou.

Thomas de Toledo defendeu a mobilização em torno da libertação do brasileiro. “Todo mundo tem que estar do lado dessa luta pela libertação do Thiago, porque isso é uma questão que muita coisa está em jogo nesse sentido”, afirmou.

O especialista também chamou atenção para o precedente que o caso pode abrir em nível internacional. “Imagina só uma situação hipotética. Alguém vai lá fazer um passeio turístico naquela região, Israel sequestra essa pessoa e põe na cadeia”, disse.

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