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Resistência libanesa desafia ofensiva israelense e impõe impasse militar no sul do Líbano, diz jornalista

O jornalista libanês Leith Marouf afirma que o Hezbollah tem frustrado os objetivos militares de Israel e avalia que a guerra pode se prolongar por anos

Deslocados buscam abrigo após escalada de violência entre Hezbollah e Israel em Beirute (Foto: Amr Abdallah Dalsh/Reuters)
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247 - O jornalista libanês Leith Marouf, integrante da plataforma Free Palestine TV, afirmou que a resistência libanesa liderada pelo Hezbollah tem imposto pesadas dificuldades às forças israelenses no sul do Líbano, impedindo o avanço planejado por Tel Aviv e transformando a ofensiva terrestre em uma guerra de desgaste. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Forças do Brasil, apresentado por Mário Vitor Santos.

Ao analisar a situação militar no terreno, Marouf sustentou que Israel não conseguiu alcançar os principais objetivos anunciados para a campanha no sul do Líbano. Segundo ele, as tropas israelenses permanecem limitadas a pequenas faixas próximas à fronteira, apesar de meses de operações militares intensas. O jornalista atribui esse cenário à capacidade de resistência do Hezbollah e ao uso de novas tecnologias de combate, especialmente drones FPV e mísseis antitanque.

“Eles disseram que chegariam ao rio Litani e anexariam a área ao sul dele. Não conseguiram”, afirmou Marouf. De acordo com sua avaliação, as forças israelenses avançaram apenas alguns quilômetros em determinados setores e enfrentam dificuldades para consolidar posições conquistadas.

Combates intensos e avanço limitado

Marouf relatou ter visitado recentemente a região de Nabatieh, uma das áreas mais afetadas pelos confrontos. Segundo ele, ao longo de um dia inteiro foi possível observar ataques contínuos da resistência contra blindados e posições israelenses.

“O dia inteiro vimos combatentes do Hezbollah atacando tanques, veículos blindados e posições de concentração das tropas israelenses”, declarou.

Na sua descrição, a dinâmica da batalha se repete constantemente: após bombardeios aéreos e disparos de artilharia realizados por Israel para abrir caminho às tropas terrestres, unidades israelenses tentam avançar, mas acabam atingidas por emboscadas ou ataques de drones. “Eles avançam, sofrem perdas, recuam e tentam novamente”, resumiu.

Deslocamento em massa da população

A guerra também provocou uma grave crise humanitária. Marouf estima que entre um milhão e um milhão e meio de libaneses tenham sido deslocados internamente em consequência dos bombardeios e das ordens de evacuação emitidas por Israel.

Segundo ele, cidades do norte e regiões montanhosas do país estão sobrecarregadas pela chegada de famílias vindas do sul. Apesar disso, o jornalista destacou a capacidade de mobilização da sociedade libanesa.

“Qualquer outra sociedade que enfrentasse uma situação semelhante poderia entrar em colapso. Mas o povo libanês desenvolveu mecanismos comunitários de sobrevivência ao longo de décadas de conflito”, afirmou.

Ele relatou que organizações religiosas, associações locais e redes comunitárias assumiram funções de assistência social que tradicionalmente caberiam ao Estado, oferecendo abrigo, alimentação e apoio aos deslocados.

Cidades esvaziadas e infraestrutura destruída

Segundo Marouf, centros urbanos importantes como Tiro e Nabatieh perderam grande parte de seus habitantes. Em algumas áreas, permanecem apenas idosos, pessoas com deficiência e moradores sem condições financeiras de deixar suas residências.

O jornalista descreveu um cenário de destruição crescente. Hospitais que continuam funcionando passaram a organizar cozinhas comunitárias para distribuir alimentos aos moradores remanescentes.

“Não há supermercados, não há restaurantes, não há praticamente nada funcionando. Os voluntários arriscam a vida para levar comida aos que ficaram”, relatou.

O impacto dos drones no campo de batalha

Um dos pontos centrais da análise de Marouf é a transformação da guerra moderna. Para ele, drones de baixo custo estão reduzindo drasticamente a eficácia de sistemas militares tradicionais, incluindo tanques e veículos blindados.

“Esses blindados estão se tornando alvos fáceis para equipamentos muito baratos”, disse.

Na sua avaliação, a mesma tendência estaria ocorrendo em outras áreas militares, como a guerra naval, onde mísseis e drones cada vez mais sofisticados desafiam sistemas considerados dominantes durante décadas.

Alegações sobre perdas israelenses

Durante a entrevista, Marouf apresentou estimativas elevadas sobre as perdas materiais sofridas por Israel. Segundo ele, centenas de tanques teriam sido destruídos nos últimos meses de confrontos. As informações citadas refletem a avaliação do entrevistado e não foram acompanhadas, na entrevista, de dados independentes que permitam sua verificação.

O jornalista também alegou que oficiais israelenses de alta patente teriam sido mortos ou alvo de operações conduzidas pelo Hezbollah, resultado de uma combinação de vigilância aérea, monitoramento eletrônico e ações de precisão.

“Isso demonstra um nível muito sofisticado de inteligência e acompanhamento dos movimentos inimigos”, afirmou.

Irã e a ampliação do conflito regional

Outro tema abordado foi o papel do Irã. Marouf considera que Teerã ampliou significativamente sua atuação regional ao assumir uma postura mais direta em defesa do Hezbollah e do Líbano.

Segundo sua interpretação, essa mudança representa uma transformação importante no equilíbrio de forças do Oriente Médio e pode redefinir as relações geopolíticas da região nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, ele alertou para os riscos de escalada militar e destacou que o prolongamento da guerra pode aumentar as tensões entre potências regionais e internacionais.

Perspectivas para um cessar-fogo

Questionado sobre a possibilidade de negociações de paz, Marouf demonstrou ceticismo. Em sua avaliação, os atuais esforços diplomáticos enfrentam obstáculos políticos e militares significativos.

“Infelizmente, não vejo um cessar-fogo próximo”, afirmou.

Para ele, a continuidade dos confrontos está ligada não apenas à situação militar no campo de batalha, mas também às disputas políticas mais amplas envolvendo Israel, o Hezbollah, o Irã e os Estados Unidos.

Gaza e os próximos desdobramentos

Ao final da entrevista, Marouf também comentou a situação palestina. Segundo ele, a guerra em Gaza continua sendo um elemento central da crise regional e poderá influenciar futuras etapas do conflito.

Embora tenha evitado fazer previsões definitivas, o jornalista afirmou acreditar que novos acontecimentos militares ainda poderão alterar significativamente o cenário atual.

“A história desta guerra ainda não terminou”, concluiu.

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