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Ataques de Israel ao Líbano ameaçam acordo EUA-Irã

Ataques colocam acordo EUA-Irã em risco após mortes de soldados israelenses e civis libaneses

Fumaça sobe do sul do Líbano, após ataques israelenses, vista de Nabatieh, Líbano, 4 de junho de 2026. (Foto: REUTERS/Stringer)
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247 - A nova escalada militar no Líbano colocou o acordo EUA-Irã sob forte pressão nesta sexta-feira (19), após ataques entre Israel e o Hezbollah deixarem mortos soldados israelenses e civis libaneses, ao mesmo tempo em que uma rodada técnica de negociações prevista para ocorrer na Suíça foi adiada, ampliando as dúvidas sobre a continuidade do cessar-fogo provisório no Oriente Médio.

Os confrontos marcaram um dos momentos mais delicados desde a assinatura do entendimento entre Washington e Teerã. De acordo com Tel Aviv, quatro soldados israelenses morreram em uma ofensiva do Hezbollah, considerada uma das mais letais realizadas pelo grupo desde o início da atual fase do conflito. Em paralelo, bombardeios atribuídos a Israel mataram pelo menos 18 pessoas em território libanês, segundo autoridades do Líbano.

Escalada no Líbano pressiona cessar-fogo

A intensificação da violência levou a França a defender que Washington pressione Israel, seu aliado, para interromper as hostilidades no Líbano. O acordo firmado entre os presidentes dos Estados Unidos e do Irã prevê o encerramento das operações militares de todas as partes envolvidas no conflito no Oriente Médio, incluindo a frente libanesa.

Embora tenha havido uma redução temporária dos combates no início da semana, a violência voltou a crescer. O avanço das operações militares ameaça a sustentação do memorando provisório e aumenta a incerteza sobre a possibilidade de transformar o entendimento em um acordo de paz permanente.

As negociações técnicas que deveriam ocorrer nesta sexta-feira na Suíça foram adiadas. Segundo autoridades familiarizadas com os preparativos, o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, desistiu de participar do encontro, sem que os motivos tenham sido esclarecidos. Também havia indicações de que o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, não compareceria.

O governo suíço confirmou o adiamento da rodada de conversas e informou que permanece disposto a atuar como facilitador do diálogo entre as partes.

Acordo enfrenta resistência em Israel e nos EUA

O entendimento entre Estados Unidos e Irã sofre resistência de diferentes setores. Autoridades israelenses criticam o acordo por avaliarem que ele não responde de forma suficiente às preocupações relacionadas ao programa nuclear iraniano e por limitar a margem de ação militar de Israel contra o Hezbollah no Líbano.

Nos Estados Unidos, aliados republicanos do presidente Donald Trump também questionam os termos negociados pela Casa Branca. As críticas se concentram no alívio de sanções econômicas e no desbloqueio de ativos iranianos, medidas vistas por esses setores como concessões excessivas a Teerã.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que Trump assinou o acordo “por desespero”. Ele também disse que as futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano não serão fáceis e afirmou que o Irã não aceitará exigências excessivas de Washington.

O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã também prometeu reagir a qualquer violação do acordo.

Memorando prevê 60 dias de negociações

O memorando firmado entre Washington e Teerã estabelece um prazo de 60 dias para que negociadores busquem um entendimento sobre o programa nuclear iraniano e outras questões pendentes. O texto também prevê a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o Irã, além de outros incentivos financeiros.

O acordo inclui ainda a possibilidade de prorrogação do cessar-fogo temporário. A escalada no Líbano, porém, coloca em dúvida a capacidade das partes de sustentar o compromisso enquanto os combates continuam em uma das frentes mais sensíveis do conflito.

Bombardeios deixam mortos no Líbano

No Líbano, ataques aéreos israelenses mataram 18 pessoas e feriram outras 33, de acordo com o Ministério da Saúde do país. As autoridades afirmaram que os bombardeios dificultam os trabalhos de resgate e alertaram que o número de vítimas pode aumentar.

Na vila de Harouf, a nordeste da cidade de Tiro, sete pessoas morreram, e outras estariam sob os escombros. Israel afirmou que os ataques tiveram como alvo integrantes e estruturas do Hezbollah no sul do Líbano.

O Exército israelense justificou a ofensiva alegando violações do cessar-fogo por parte do grupo apoiado pelo Irã. Em nota, as Forças Armadas de Tel Aviv disseram ter atacado mais de 80 alvos, entre eles centros de comando do Hezbollah, e afirmaram ter eliminado dezenas de combatentes.

Emboscada mata soldados israelenses

Os combates mais intensos ocorreram na região da colina Ali al-Taher, ao norte do rio Litani, área considerada estratégica para o Hezbollah. Segundo uma autoridade de segurança libanesa, forças israelenses tentavam avançar no local quando foram atingidas por uma emboscada.

O Hezbollah afirmou ter destruído três tanques com mísseis guiados e atacado tropas israelenses com foguetes e artilharia. O grupo também disse ter alvejado forças enviadas posteriormente para resgatar vítimas.

Sem divulgar detalhes da operação, o Exército israelense confirmou a morte de quatro soldados.

Conflito começou após ataques de março

A atual fase do conflito na fronteira teve início em 2 de março, quando o Hezbollah passou a atacar posições israelenses em apoio ao Irã, que havia sido alvo de Israel e dos Estados Unidos dias antes. Em resposta, Tel Aviv lançou uma ampla ofensiva contra o grupo e invadiu o sul do Líbano.

Desde então, Israel mantém tropas em uma zona de segurança criada em território libanês. O governo israelense afirma que a medida é necessária para proteger o norte do país contra ataques do Hezbollah.

A morte dos quatro militares israelenses provocou reações duras dentro do governo de Israel. Os ministros de extrema direita Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich defenderam uma resposta mais intensa contra o Líbano.

Ben-Gvir escreveu em uma rede social que, para cada lágrima de uma mãe israelense, “mil mães libanesas devem chorar”. Smotrich afirmou que chegou o momento de “abrir os portões do inferno”.

De acordo com o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques israelenses já mataram 3.912 pessoas no país desde 2 de março, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças. Do lado israelense, ao menos 32 soldados e quatro civis morreram durante essa fase do confronto.

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