HOME > Mundo

ONU cobra cessar-fogo verdadeiro em Gaza após mil assassinatos cometidos por Israel

Tom Fletcher afirma que civis seguem assassinados e mutilados em Gaza apesar do cessar-fogo e pede proteção humanitária aos palestinos

Palestinos inspecionam danos causados em prédio atingido por ataque de Israel na Cidade de Gaza, em meio ao genocídio palestino - 13/01/2026 (Foto: REUTERS/Dawoud Abu Alkas)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - A ONU cobrou um cessar-fogo verdadeiro em Gaza após mil assassinatos praticados por Israel e alertou que civis seguem mortos e mutilados apesar da redução dos combates ativos, enquanto a entrega de ajuda humanitária permanece sob risco extremo, as informações são da teleSUR.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, exigiu nesta quinta-feira (18) garantias efetivas de proteção à população civil nos territórios palestinos ocupados. Segundo a teleSUR, a declaração ocorreu após ao menos 1.000 palestinos terem sido mortos pelas forças de ocupação israelenses desde outubro de 2025, em meio a denúncias de violações do acordo de cessação das hostilidades.

“Apesar da redução dos combates ativos, civis continuam sendo mortos e mutilados diariamente, e os ataques aéreos prosseguem apesar do cessar-fogo”, afirmou Fletcher durante sessão sobre a situação na Palestina.

O alto funcionário da ONU pediu ao Conselho de Segurança que assegure acesso humanitário irrestrito à Faixa de Gaza e defendeu a reabertura da passagem de Kerem Shalom, bloqueada por Israel. Para Fletcher, a permanência das restrições aprofunda a crise humanitária em um território já devastado.

“Gaza continua sendo o lugar mais perigoso do mundo para se entregar ajuda humanitária”, declarou.

De acordo com Fletcher, a morte de um palestino nesta quinta-feira, após um ataque israelense na região central da Faixa de Gaza, elevou o total de mortos para mais de 1.000 desde outubro de 2025. Entre as vítimas, segundo ele, estão mais de 250 crianças.

O representante da ONU criticou a forma como Tel Aviv tem tratado as crianças palestinas. Segundo Fletcher, elas são vistas como “danos colaterais e potenciais terroristas”, e não como seres humanos e potenciais vizinhos.

Além da situação em Gaza, Fletcher denunciou a escalada da violência na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Ele afirmou que políticas discriminatórias e ataques contra palestinos têm como objetivo forçar a população a abandonar suas terras.

“Mais de mil incidentes de violência por parte de colonos foram registrados, uma média de cerca de seis incidentes por dia”, alertou.

O subsecretário-geral também chamou atenção para o colapso das condições básicas de vida nos territórios palestinos ocupados. Segundo ele, a maioria da população enfrenta insegurança extrema em relação à moradia e aos serviços essenciais.

“Setenta por cento da população precisa de abrigo e os serviços essenciais estão à beira do colapso”, disse Fletcher, ao pedir que os Estados-membros ampliem o financiamento destinado aos territórios palestinos ocupados e garantam proteção aos trabalhadores humanitários.

No mesmo contexto, Fletcher citou dados sobre a vulnerabilidade de crianças em diferentes regiões do mundo. “O UNICEF alerta que, para 1,1 bilhão de crianças, o acesso à água não está garantido”, afirmou.

Fletcher também abordou o avanço do plano de 20 pontos para Gaza, apoiado pelos Estados Unidos e desenvolvido com aprovação das Nações Unidas. Em 14 de junho, Washington confirmou a construção de uma base militar na Faixa de Gaza para monitorar o plano de assentamentos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no território palestino.

A nova instalação deverá substituir estruturas mantidas pelos Estados Unidos na cidade israelense de Kiryat Gat e terá funções militares e civis. O espaço será utilizado como centro de coordenação para diferentes organizações, sob supervisão do Ministério da Defesa de Israel.

Segundo a reportagem, Washington também intensifica esforços diplomáticos para acelerar o projeto, enquadrado no objetivo de consolidar a chamada “Riviera do Oriente Médio”. A iniciativa ocorre em meio a preocupações sobre o possível deslocamento de milhões de palestinos para territórios vizinhos.

Desde o início da campanha militar israelense em outubro de 2023, mais de 73 mil pessoas foram mortas na Faixa de Gaza, de acordo com dados do Ministério da Saúde palestino citados pela teleSUR.