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“Vivemos a ascensão da insignificância”, diz Lenio Streck sobre Zema

Para o jurista, Romeu Zema “é um bom exemplo do niilismo desses tempos” e simboliza a deterioração do debate público

“Vivemos a ascensão da insignificância”, diz Lenio Streck sobre Zema (Foto: Reprodução)

247 - O jurista Lenio Streck fez criticou a postura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, ao comentar recentes ataques ao Supremo Tribunal Federal. Em entrevista ao Boa Noite, da TV 247, o jurista afirmou que a conduta do pré-candidato à presidência simboliza a deterioração do debate público e o avanço de uma lógica de confronto institucional no país.

“Esse caso do Zema é um bom exemplo do niilismo desses tempos. Por isso que eu uso: Deus morreu e agora tudo é possível”, disse Lenio, que afirmou que o Brasil vive uma profunda crise institucional e que a democracia perdeu instrumentos essenciais para funcionar plenamente. Segundo ele, o ambiente público foi substituído por desinformação, redes sociais e discursos vazios.

“A democracia está sem os insumos. Os insumos é a esfera pública em que as pessoas podem conversar, as pessoas podem colocar suas ideias. Hoje não tem mais nada disso. Hoje é tempo de TikTok, de trends e de mentiras”, afirmou.

Para Lenio, o enfraquecimento do debate racional afeta diretamente a vida política nacional e abre espaço para comportamentos antes considerados incompatíveis com a democracia.

Sobre as ofensas dirigidas a integrantes do Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Gilmar Mendes, Lenio afirma que quando um agente político ataca um magistrado, a agressão não é apenas pessoal.

“Quando você ofende o ministro Supremo, você não está ofendendo o CPF dele, você está ofendendo a cadeira dele”, afirma. Na avaliação do jurista, esse tipo de comportamento representa um desgaste institucional grave e contribui para normalizar ataques às estruturas republicanas.

Para Lenio, o país atravessa uma época marcada por oportunismo e superficialidade.“O mundo mudou, o mundo é dos poltrões. O mundo é dos vigaristas, o mundo é dos influencers e de quem maneja melhor as redes sociais”, salientou.

Segundo ele, a antiga 'opinião pública' foi substituída por narrativas instantâneas e manipulações digitais, o que dificulta o amadurecimento democrático.

O jurista também comentou a possibilidade de derrubada de veto presidencial ao PL da Dosimetria e afirmou estar preocupado com os impactos jurídicos e políticos da medida. “Se esse veto for derrubado, é mais grave ainda, porque é o Rubicão que está sendo atravessado”, disse.

Segundo ele, caso determinadas decisões do Congresso avancem, o Supremo poderá ser novamente pressionado a arbitrar conflitos entre os Poderes. “Se o Supremo referendar, digamos, não dizer que é inconstitucional esse projeto, eu não terei críticas a fazer ao Supremo, porque eu sei enxergar a conjuntura”, analisou.

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