Em discurso com campeões mundiais, Lula destaca força do Brasil nas Copas do Mundo feminina e masculina
Presidente defende valorização do futebol feminino, relembra 2014 e aposta em novos títulos nas competições de 2026 e 2027
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (26), em Brasília, que o Brasil reúne condições para voltar a conquistar a Copa do Mundo masculina e fazer da edição feminina de 2027, que será realizada no país, um marco de valorização das mulheres no esporte. A declaração ocorreu durante a cerimônia oficial do Tour da Taça, promovido pela FIFA em parceria com a Coca-Cola Brasil, no Palácio do Planalto.
No evento, que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro do Esporte, André Fufuca, além de ex-jogadores como Pepe, Cafu e Formiga, Lula discursou ao lado de campeões mundiais e destacou que a Copa do Mundo Feminina no Brasil deve simbolizar uma virada histórica. O Tour da Taça passa por oito países da América Latina e, no Brasil, já esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro antes de chegar à capital federal.
Ao relembrar a Copa de 2014, realizada no país, Lula afirmou que o torneio ocorreu em um ambiente de tensão política e social. “Nós temos que nos redimir do que aconteceu conosco em 2014. Em 2014 foi um vexame. E não foi um vexame dos jogadores”, disse. Segundo ele, denúncias de corrupção criaram um clima adverso que afetou o ambiente do campeonato. “Passou-se a ideia para a sociedade de que aquilo tinha sido um antro de corrupção, e aquilo resultou na meninada toda nervosa, toda irritada, porque não havia clima sequer para jogar futebol.”
O presidente também recordou as vaias dirigidas à então presidenta Dilma Rousseff na abertura do Mundial. “Eu não esqueço nunca a grosseria da torcida xingando a Dilma. Eu não esqueço. Era uma coisa que eu jamais imaginei ver numa festa que o Brasil estava organizando.”
Ao percorrer momentos históricos da Seleção Brasileira, Lula mencionou as conquistas de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, além de frustrações como a eliminação em 1966 e a derrota para a França em 2006. Ele ressaltou o espírito de superação da equipe de 1994, da qual participou Cafu. “A seleção que saiu desacreditada para jogar nos Estados Unidos, sob a liderança do Cafu, trouxe a nossa Copa depois de 24 anos.”
Demonstrando confiança no atual ciclo, o presidente afirmou: “Eu estou convencido que nós vamos ganhar essa Copa.” Ele elogiou o técnico da Seleção masculina e disse que apenas jogadores em plena condição física devem ser convocados: “Só vai jogar quem tiver 100% de condição de jogar, que não vai convocar ninguém pelo nome.”
No discurso, Lula dedicou atenção especial ao futebol feminino e criticou a desigualdade salarial entre homens e mulheres. “Você tem jogador ganhando um milhão e meio no banco de reserva sem jogar há vários meses, e você tem pessoas titular da seleção brasileira ganhando 20 mil reais por mês.” Para ele, essa disparidade é reflexo de preconceito estrutural. “É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização da jogadora mulher.”
O presidente defendeu que a Copa do Mundo Feminina de 2027 represente um ponto de inflexão na valorização das atletas. “As mulheres têm que entrar nesse ritmo e elas têm que ser respeitadas, não apenas no Brasil, no mundo inteiro.” Ele citou países como Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra como exemplos de maior reconhecimento às jogadoras.
Lula também relacionou o torneio à mobilização social contra a violência de gênero. Ao mencionar parceria com patrocinadores, afirmou que a competição deve ajudar a fortalecer o enfrentamento ao feminicídio. “A luta contra a violência da mulher não é da mulher, ela é vítima. A luta é dos homens, que são os agressores.” E acrescentou: “Não há nada que permita que um homem levante a mão para agredir uma mulher.”


