Relatório aponta depósitos fracionados de R$ 1,5 milhão na conta do presidente do São Paulo
O caso ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade política no São Paulo Futebol Clube
247 - O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, realizou depósitos em dinheiro vivo, de forma fracionada, que totalizaram R$ 1,5 milhão entre janeiro de 2023 e maio de 2025, segundo um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As movimentações passaram a ser analisadas no âmbito de uma investigação da Polícia Civil que apura suspeitas de desvios financeiros no clube.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo Fantástico, da TV Globo. O relatório aponta que os valores foram depositados em uma conta conjunta mantida por Júlio Casares e sua ex-esposa, Mara Casares. Todas as entradas ocorreram em dinheiro vivo, diretamente no caixa bancário, e em quantias fragmentadas, com registros de até 12 operações no mesmo dia.
Nenhuma das transações individuais ultrapassou R$ 49 mil, valor imediatamente abaixo do limite de R$ 50 mil que obriga as instituições financeiras a comunicarem automaticamente a operação ao Coaf. Esse padrão de fracionamento chamou a atenção dos órgãos de controle e passou a integrar o inquérito policial em andamento.
Apesar da movimentação considerada atípica, o delegado responsável pela investigação afirmou que, até o momento, não foi identificada relação direta ou indireta entre os depósitos feitos na conta do presidente e os saques em dinheiro realizados pelo São Paulo Futebol Clube. Segundo a apuração, o clube retirou cerca de R$ 11 milhões em espécie entre 2021 e 2025, valores que também são analisados no inquérito.
A defesa de Júlio Casares sustenta que os recursos depositados pertencem exclusivamente ao presidente e têm origem lícita. De acordo com os advogados, o montante foi acumulado ao longo de sua carreira profissional fora do futebol, antes de assumir o comando do clube, e os depósitos teriam sido feitos de forma gradual após sua posse.
“O que precisa ficar claro é que esses depósitos são do Júlio para o Júlio. Esse dinheiro tem origem, tem lastro e isso será demonstrado dentro do inquérito”, afirmou o advogado Bruno Borragini, em declaração destacada pela reportagem.
A defesa também informou que o próprio presidente determinou a atuação do departamento de compliance do São Paulo para apurar eventuais irregularidades envolvendo dirigentes, reforçando que a atual gestão colabora com as investigações em curso.
Segundo a Polícia Civil, o inquérito teve início a partir de uma denúncia anônima que apontava possíveis “desvios estruturados e sistemáticos” dentro do clube. As autoridades ressaltam que o São Paulo é tratado como vítima no processo investigativo, e não como alvo direto das apurações.
O caso ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade política no São Paulo Futebol Clube. Conselheiros e grupos internos discutem a condução da gestão financeira e avaliam, nos próximos dias, a possibilidade de manutenção ou afastamento de Júlio Casares da presidência, enquanto a investigação segue em andamento sem conclusão definitiva.