São Paulo é investigado por suspeita de fraude em reajuste salarial da diretoria
Polícia apura possível falsificação de assinaturas e liga caso a outras investigações envolvendo a cúpula do São Paulo Futebol Clube
247 - A Polícia Civil de São Paulo investiga a suspeita de que integrantes da diretoria do São Paulo Futebol Clube teriam fraudado assinaturas para viabilizar aumentos expressivos nos próprios salários previstos para 2025. A apuração está sob responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e envolve denúncias de que uma reunião teria sido simulada para dar aparência de legalidade às decisões, supostamente chanceladas por conselheiros do clube, explica o Metrópoles.
A polícia ainda não conseguiu avançar de forma aprofundada nessa frente específica, pois os esforços iniciais estão concentrados em outros inquéritos que envolvem a alta cúpula do clube. A expectativa dos investigadores é de que a sequência dos fatos seja esclarecida a partir dos depoimentos colhidos em procedimentos paralelos, que já estão em andamento e correm sob segredo de Justiça.
Até o momento, o DPPC não teve acesso à ata da suposta reunião na qual os reajustes salariais teriam sido aprovados. Também não há confirmação oficial sobre quais diretores teriam sido beneficiados nem sobre os valores que teriam sido acrescidos aos vencimentos. Essas lacunas fazem parte do escopo da apuração, que segue em fase preliminar.
As suspeitas envolvendo a diretoria do São Paulo Futebol Clube vieram à tona após uma operação realizada em 21 de janeiro pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra o então presidente do clube, Julio Casares, que deixou o cargo poucas horas depois, além de sua ex-esposa, Mara Casares, do diretor-adjunto das categorias de base, Douglas Schwartzmann, e de Rita Adriana Prado, apontada como possível participante do esquema. Outros dirigentes também são investigados.
As investigações foram divididas em dois inquéritos distintos, ambos sob sigilo judicial. Um deles apura a suspeita de exploração clandestina de um camarote no estádio Morumbis, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público, a irregularidade teria ocorrido durante um show da cantora colombiana Shakira, realizado em fevereiro de 2025, em um espaço vinculado à presidência do clube.
Nesse inquérito, o MPSP apura possíveis crimes de corrupção privada no esporte e coação no curso do processo. Um áudio divulgado pela imprensa revelou indícios de um esquema de comercialização irregular do camarote. Conforme o material, Douglas Schwartzmann e Mara Casares teriam participado da prática, que envolvia o repasse do espaço para a realização de um evento e a posterior venda de ingressos por meio de uma intermediária, com valores que chegavam a R$ 2,1 mil por ticket.
O caso ganhou repercussão após a intermediária recorrer à Justiça, alegando não ter recebido o pagamento combinado por um pacote de ingressos. Em outro áudio divulgado, os envolvidos teriam pressionado a retirada da ação judicial, além de admitir que se tratava de um esquema clandestino. Após a divulgação das denúncias, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares solicitaram afastamento de suas funções no clube.