Advogada que salvou família de incêndio e ficou pendurada em suporte de ar-condicionado recebe alta após três meses internada
Ela estava no Hospital Universitário de Londrina, unidade de referência no atendimento a pacientes vítimas de queimaduras no estado
247 - A advogada Juliane Vieira recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (20), após permanecer internada por cerca de três meses em decorrência de graves queimaduras sofridas durante um incêndio em um apartamento em Cascavel, no oeste do Paraná. Ela estava no Hospital Universitário de Londrina, unidade de referência no atendimento a pacientes vítimas de queimaduras no estado.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1 Paraná, com apuração da RPC, afiliada da TV Globo. Segundo a assessoria do hospital, Juliane deixou a unidade nesta manhã, mas não foram informados detalhes sobre seu estado de saúde atual. Em atualização anterior, no dia 14 de janeiro, o hospital havia confirmado que ela estava consciente e respirando naturalmente.
Juliane ficou gravemente ferida ao salvar a mãe, Sueli Vieira, e o primo Pietro, de 4 anos, durante um incêndio no apartamento onde a família morava, no centro de Cascavel. Ela sofreu queimaduras em 63% do corpo após se pendurar do lado de fora do prédio, em um suporte de ar-condicionado, para possibilitar o resgate dos familiares.
Inicialmente, a advogada foi atendida no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel. No dia 17 de outubro de 2025, foi transferida para Londrina em um avião da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa-PR), devido à gravidade do quadro. Foram quase dois meses internada no Centro de Tratamento de Queimados até apresentar sinais consistentes de melhora.
Em dezembro de 2025, Sueli Vieira informou à RPC que a filha estava despertando gradualmente do coma induzido e já conseguia se comunicar com familiares. A evolução clínica permitiu, semanas depois, a retirada progressiva de sedativos e o avanço no processo de recuperação.
O incêndio ocorreu na manhã de 15 de outubro de 2025, em um apartamento no 13º andar de um prédio localizado no cruzamento das ruas Riachuelo e Londrina, no bairro Country. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram Juliane pendurada do lado de fora do edifício, em uma tentativa desesperada de salvar os parentes presos no interior do imóvel.
Após o resgate, Juliane foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros. A mãe dela sofreu queimaduras no rosto e nas pernas, além de lesões nas vias respiratórias provocadas pela inalação de fumaça, ficando 11 dias internada no Hospital São Lucas, em Cascavel. O menino Pietro foi transferido para Curitiba, onde permaneceu internado por 16 dias, recebendo alta no fim de outubro.
Um bombeiro que participou do resgate também ficou ferido, com queimaduras nos braços, mãos e parte das costas, mas recebeu alta poucos dias depois. Outro militar teve ferimentos leves nas mãos e foi atendido no local.
Em novembro de 2025, a Polícia Civil concluiu a investigação sobre o incêndio e descartou a hipótese de crime. De acordo com o laudo pericial, o fogo teve início na cozinha do apartamento e não foi provocado de forma intencional.
Amigos descrevem Juliane como uma pessoa determinada e resiliente. “A Ju sempre foi prática, de resolver as coisas. E o fato de ter salvado a mãe e o primo resume bem quem ela é”, afirmou o amigo Jeferson Espósito. Ele também destacou a capacidade da advogada de superar momentos difíceis: “Já vi a Ju passar por dias difíceis, daqueles em que a vontade era ficar na cama, sem enxergar sentido no caminho que estava trilhando. Mas era só questão de tempo até ela recalcular a rota”.
Além de advogada, Juliane é praticante de crossfit e costumava compartilhar nas redes sociais uma rotina ligada a exercícios físicos e hábitos saudáveis. “Ela gosta de treinar, de sair com os amigos, de estar ao ar livre. Mas também aprecia o silêncio, o seu canto e os momentos com a família”, contou o amigo.
Durante o incêndio, até o cachorro da família, Barthô, foi resgatado e não sofreu ferimentos. A alta hospitalar de Juliane marca um novo capítulo na recuperação da jovem, cuja história de coragem comoveu o país e mobilizou uma corrente de solidariedade desde outubro do ano passado.