HOME > Geral

Os elementos que envolvem PC Siqueira e a ordem de reabertura do caso após 2 anos de sua morte

PC Siqueira foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, em seu apartamento no terceiro andar de um prédio

PC Siqueira (Foto: Reprodução/Instagram)

247 - Dois anos após a morte do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, a Justiça de São Paulo determinou que a Polícia Civil retome as investigações sobre o caso. A decisão atende a um pedido do Ministério Público (MP), que discordou do encerramento do inquérito com a conclusão de suicídio e solicitou novas diligências, incluindo a reconstituição da morte, marcada para esta terça-feira (20), às 10h30.

As informações foram publicadas inicialmente pelo g1. O MP levantou dúvidas sobre laudos periciais e depoimentos colhidos ao longo da apuração e defendeu que outras hipóteses sejam analisadas, como eventual instigação ao suicídio ou até homicídio. Pessoas do convívio do influenciador poderão voltar a ser investigadas.

PC Siqueira foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, em seu apartamento no terceiro andar de um prédio no Campo Belo, Zona Sul da capital paulista. Ele tinha 37 anos. À época, a Polícia Técnico-Científica concluiu que a causa da morte foi “asfixia mecânica por enforcamento”, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), e o inquérito foi encerrado em outubro de 2025 pelo 11º Distrito Policial de Santo Amaro com a classificação de suicídio.

Apesar dessa conclusão, a Promotoria apontou inconsistências técnicas e contradições em relatos colhidos durante a investigação. Entre as medidas solicitadas estão a oitiva de testemunhas novamente, acareações e perícias complementares, além da reprodução simulada dos fatos no edifício onde o influenciador morava.

A reconstituição será conduzida por peritos da Polícia Científica, com acompanhamento de agentes da delegacia responsável pelo caso. Deverão participar pessoas que tiveram contato com PC Siqueira nas horas anteriores à morte, como uma vizinha e o síndico do prédio. A ex-namorada do influenciador, que estava com ele no dia do ocorrido, não deverá comparecer, mas sua versão será reproduzida com base no depoimento já prestado.

Uma tentativa anterior de reconstituição, marcada para novembro de 2025, foi cancelada porque a ex-namorada não foi localizada. Desta vez, a defesa dela alegou que a mulher mora no Rio de Janeiro e está amamentando um bebê de cerca de três meses, motivo pelo qual não teria condições de comparecer. Segundo informado à Justiça, ela tem interesse em colaborar futuramente com as investigações.

De acordo com depoimentos colhidos no inquérito, PC Siqueira teria se matado na frente da ex-namorada, com quem havia terminado o relacionamento dois dias antes. Ela afirmou à polícia que o influenciador havia ingerido medicamentos e usado drogas naquele dia, além de manifestar a intenção de tirar a própria vida. Disse ainda que tentou impedir o ato e saiu do apartamento para pedir ajuda aos vizinhos.

Uma vizinha acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que orientou tentativas de reanimação, e a Polícia Militar também foi chamada. O MP, no entanto, identificou divergências pontuais entre os relatos da ex e da vizinha e pediu que seja realizada uma acareação entre elas, procedimento previsto em lei.

Os advogados da família de PC Siqueira sustentam que a hipótese de suicídio não pode ser considerada definitiva neste momento. Para a defesa, falhas na perícia e lacunas na investigação inicial justificam a retomada do caso e a ampliação das linhas de apuração.

“A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa”, afirmou o advogado Caio Muniz. “Hoje, a gente trabalha com dois caminhos: ou o suicídio, o ato contra a própria vida, efetivado pelo próprio PC, ou uma possível instigação ao suicídio também. Se subdivide em dois caminhos. E a nossa outra alternativa, que cuidaria especificamente do assassinato, figurando, simulando um suicídio.”

O advogado Geraldo Bezerra da Silva Filho destacou que o Ministério Público acolheu os argumentos apresentados pela defesa. “O Ministério Público compreendeu as nossas alegações e solicitou novas diligências à autoridade policial”, disse. “As principais medidas são a reconstituição dos fatos e a perícia complementar.”

Até o momento, segundo as autoridades, não há suspeitos formalmente identificados nem elementos conclusivos que indiquem a ocorrência de crime. Com a retomada das investigações, a expectativa do MP e da defesa é que as novas diligências esclareçam de forma mais precisa as circunstâncias da morte do influenciador e permitam uma conclusão definitiva sobre o caso.

Artigos Relacionados