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Os personagens fundamentais que atuaram para denunciar ator global condenado por pedofilia

Condenação do ator José Dumont não teria sido possível sem a proatividade e o olhar atento

Ator José Dumont (Foto: Reprodução/TV Record)

247 - A condenação do ator José Dumont por estupro de vulnerável, que resultou em sua prisão nesta terça-feira (3), não teria sido possível sem a proatividade e o olhar atento de quem zela pelo cotidiano do edifício onde o artista residia. Conforme revelado em reportagem original da TV Globo, a sentença judicial destaca que a percepção de "movimentações incomuns" por parte dos porteiros e da síndica foi o gatilho fundamental para que os crimes, cometidos contra um menino de 14 anos, fossem denunciados e interrompidos.

O caso começou a ganhar contornos criminais quando o porteiro noturno do prédio estranhou a interação entre Dumont e o adolescente. Ao levar a suspeita ao porteiro-chefe, as câmeras de segurança do circuito interno foram revisadas, expondo uma realidade chocante: as gravações capturaram o ator praticando atos libidinosos, incluindo beijos na boca e apalpamentos, em áreas comuns do condomínio. Diante do material, a síndica acionou o corpo jurídico e a polícia, consolidando a prova técnica que destruiria a tese de defesa do réu.

O flagrante das câmeras e o "segredinho"

As imagens, datadas de julho e agosto de 2022, serviram como o pilar de sustentação para a decisão do magistrado Daniel Werneck Cotta. Segundo o laudo pericial citado no processo, as câmeras registraram o momento em que o ator “beija o menino na boca” e, em datas subsequentes, “apalpa nádegas, mamilos e pênis (com um tapa) do menino; tudo por cima das roupas”. A síndica, ao descrever o que viu nas imagens durante o processo, detalhou que Dumont “puxa o menino, passa a mão pelas costas, desce a mão no corpo todo, se aproxima e beija” — o que ela classificou categoricamente como “um beijo na boca”.

A investigação apontou que o ator utilizava sua fama para atrair a vítima, oferecendo presentes e dinheiro. O adolescente relatou em depoimento que o artista pedia silêncio sobre os encontros, tratando a violência como um “nosso segredinho”. Para o juiz, essa conduta foi premeditada, visando "ganhar a confiança da vítima e de sua família" para facilitar o acesso ao menor. Sem a intervenção dos funcionários do prédio, o magistrado acredita que o abuso dificilmente viria à tona, já que o jovem mantinha silêncio por vergonha.

Sentença e penalidades

A Justiça rejeitou os argumentos da defesa de José Dumont, que tentou classificar os gestos como meras "manifestações de afeto". O juiz enfatizou que a narrativa da vítima foi “clara, coerente e sem indícios de sugestionamento”, sendo totalmente corroborada pelas evidências visuais. Além disso, a apreensão de pornografia infantil na residência do ator durante as investigações foi citada como um indicativo de uma “personalidade compatível” com os delitos, embora esse material específico seja alvo de um processo separado.

Dumont, atualmente com 75 anos, foi condenado a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. A pena levou em conta a culpabilidade acentuada e o crime continuado, mas aplicou a atenuante prevista em lei para réus com mais de 70 anos. Além da reclusão, o ator foi sentenciado a pagar uma indenização mínima de R$ 10 mil à vítima por danos morais, valor que sofrerá correção monetária e juros de 1% ao mês desde a data do crime.

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