Suspeita principal de cometer furto e arrombamento, Suzane von Richthofen poderá voltar para cadeia
A disputa judicial pelos bens deixados pelo médico Miguel Abdalla Neto ganhou um novo desdobramento
247 - A disputa judicial pelos bens deixados pelo médico Miguel Abdalla Neto, encontrado morto em sua casa na capital paulista em 9 de janeiro, ganhou um novo desdobramento nesta semana com a abertura de um inquérito policial para investigar o furto de objetos do imóvel logo após a morte. No centro das suspeitas está a sobrinha do médico, Suzane von Richthofen, que passou a ser alvo de apuração formal da Polícia Civil de São Paulo.
As informações foram publicadas originalmente pelo jornalista Ulisses Campbell, do jornal O Globo, e detalham os bastidores da investigação que envolve familiares do médico e a retirada de bens da residência antes da definição judicial sobre a guarda do patrimônio.
Nesta terça-feira, Silvia Magnani, prima de Miguel e também herdeira, presta depoimento às 10h30 na 27ª Delegacia de Polícia, no Campo Belo. Ela promete entregar aos investigadores uma relação detalhada de todos os itens que afirma terem sido levados da casa do médico após a morte dele. A partir desse depoimento, a polícia pretende intimar Suzane para prestar esclarecimentos sobre a entrada no imóvel, a retirada de bens sem autorização judicial e o fato de o portão da casa ter sido fechado com solda.
Os investigadores avaliam que, caso Suzane seja indiciada por furto, ela poderá perder o benefício do regime aberto e voltar à prisão. Suzane cumpre pena de 39 anos pela morte dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, crime ocorrido em 2002, e uma das condições para a manutenção do regime é não cometer novos delitos.
Miguel Abdalla Neto foi encontrado sem vida dentro da casa onde morava, em São Paulo. Após a morte, tanto Silvia quanto Suzane procuraram o vizinho que guardava a chave do imóvel, mas ele se recusou a entregá-la a qualquer uma das duas. Segundo relatos que constam na investigação, no dia seguinte, um homem encapuzado pulou o muro da residência e retirou documentos que estavam no interior da casa.
Silvia afirma que apresentará à polícia uma lista extensa de bens que teriam sido subtraídos, incluindo um conjunto de mesa e buffet em cerejeira com tampo de vidro e cadeiras, máquina de lavar, máquina de secar roupas, máquina de fazer macarrão, quadros, peças de cerâmica e objetos em estanho, além de roupas, coleções de bonecas, brinquedos, raquete de tênis, capacetes de equitação, coleções de CDs e discos de vinil. Segundo ela, o esvaziamento do imóvel ocorreu de forma progressiva nos dias seguintes à morte do médico.
Além dos objetos, também foi retirado da casa, sem autorização judicial, um veículo Subaru que estava na garagem, avaliado em cerca de R$ 200 mil. Posteriormente, Suzane admitiu em depoimento que foi ela quem levou o carro, alegando que agiu para proteger bens que, segundo sustenta, poderão ser dela no futuro, no âmbito do processo de herança.
No campo cível, Suzane obteve uma vitória importante. Ela foi nomeada pela Justiça de São Paulo como inventariante do espólio de Miguel Abdalla Neto, cujo patrimônio é estimado em cerca de R$ 5 milhões. Com isso, passou a disputar formalmente os bens com Silvia Magnani, apontada como outra parente próxima do médico. Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, também teria direito à herança, mas até agora não manifestou interesse em participar do processo. O conflito sucessório existe porque Miguel não deixou testamento registrado em cartório.
Silvia pretende apresentar aos investigadores uma reconstrução cronológica dos acontecimentos desde a morte do primo. Segundo ela, foi avisada do falecimento por outra parente, foi ao Instituto Médico-Legal para reconhecer o corpo, providenciou a funerária e a liberação para o sepultamento em Pirassununga. Nos dias seguintes, procurou a polícia após o vizinho se recusar a entregar a chave da casa e voltou diversas vezes à delegacia ao perceber sinais de invasões e retirada de bens do imóvel.
De acordo com essa narrativa, enquanto tentava obter autorização formal para entrar na residência e preservar o patrimônio, novos episódios de subtração de objetos teriam ocorrido, até que Suzane informou oficialmente que havia entrado na casa e retirado o carro. A sequência de fatos culminou no registro de um novo boletim de ocorrência e, posteriormente, na nomeação judicial de Suzane como inventariante do espólio.
No processo de partilha, Silvia deve sustentar que Suzane não demonstrou capacidade de preservar o patrimônio familiar. Entre os argumentos que pretende levar à Justiça, ela afirma que a sepultura de Manfred e Marísia von Richthofen teria ficado, em diferentes momentos, com taxas em atraso, chegando a haver publicação de edital para possível leilão. Também alega que Suzane nunca visitou o túmulo dos pais nem compareceu ao enterro de Miguel, parente cuja herança agora disputa.
A Polícia Civil segue com a investigação para esclarecer quem entrou no imóvel, quais bens foram retirados, em que circunstâncias isso ocorreu e se houve crime na subtração dos objetos antes da definição judicial sobre a guarda e a administração do patrimônio deixado pelo médico.
