China amplia influência global com inovação em escala
Fórum Econômico Mundial de Verão em Dalian reúne mais de 1.700 participantes e destaca avanços da China em IA, energia limpa e indústria
247 - O Fórum Econômico Mundial de Verão de 2026, realizado em Dalian, no nordeste da China, reuniu mais de 1.700 representantes de governos, empresas, universidades e veículos de mídia de mais de 90 países e regiões, em um encontro voltado à inovação, à cooperação econômica e ao futuro das cadeias produtivas globais, as informações são do Global Times.
Conhecido também como Encontro Anual dos Novos Campeões, o evento ocorre de terça a quinta-feira sob o tema “Inovação em Escala”. Segundo editorial do Global Times, a presença internacional no fórum representa, em meio a tensões geopolíticas, incertezas econômicas e rápidas transformações tecnológicas, uma demonstração de confiança na capacidade chinesa de combinar inovação, abertura e desenvolvimento industrial.
A edição de 2026 do fórum tem como foco a forma como novas tecnologias podem superar divisões, reduzir barreiras comerciais e se transformar em capacidade produtiva concreta. Para o Global Times, o encontro reforça a imagem de uma “China Inovadora”, capaz de compartilhar conquistas tecnológicas com outros países e ampliar a cooperação internacional.
Nos últimos anos, a inovação passou a ocupar papel central na projeção global da China. O país avançou em áreas como inteligência artificial, novas energias, manufatura avançada, veículos de nova energia, redes 5G e 6G e robótica industrial. Essas tecnologias, segundo o editorial, já se incorporam de maneira crescente ao mercado global e ampliam a influência chinesa nas principais cadeias produtivas.
O texto destaca que o amplo sistema industrial chinês, o tamanho de seu mercado interno, a qualificação de seus engenheiros e a variedade de cenários de aplicação tecnológica atraem empresas multinacionais não apenas para instalar linhas de produção no país, mas também para criar laboratórios e desenvolver plataformas de inovação em parceria com companhias chinesas.
O Fórum Econômico Mundial de Verão é apresentado como uma ponte entre o desenvolvimento da China e o restante do mundo. Ao longo de quase duas décadas, o evento teria acompanhado a consolidação da capacidade chinesa de transformar inovação em produtos, serviços e infraestrutura de larga escala.
Nesta edição, o local do encontro também foi usado para exibir exemplos concretos dessa transformação. Do lado de fora do Centro Internacional de Conferências de Dalian, veículos de nova energia, ônibus movidos a hidrogênio e ônibus autônomos inteligentes foram colocados em operação ou preparados para atender o evento. O sistema de ar condicionado do local é alimentado integralmente por energia verde, com previsão de reduzir as emissões de dióxido de carbono em cerca de 800 toneladas métricas.
A ideia de inovação, embora recorrente em fóruns internacionais, ganhou no evento uma dimensão voltada à escala produtiva. O relatório “As 10 principais tecnologias emergentes de 2026”, divulgado no dia de abertura do fórum, apontou tecnologias com potencial de moldar indústrias, políticas públicas e a sociedade nos próximos cinco anos. Entre elas estão energia integrada à rede elétrica, extração direta de lítio e vacinas personalizadas de mRNA contra o câncer.
Para o Global Times, a experiência chinesa se destaca por transformar projetos tecnológicos isolados em ecossistemas industriais amplos. O editorial menciona a avaliação de Mirek Dusek, diretor-gerente do Fórum Econômico Mundial, segundo a qual o mundo está interessado em aprender com a experiência da China.
A agenda do Fórum Econômico Mundial de Verão de 2026 foi estruturada em cinco temas principais: mudanças no comércio, o próximo capítulo da China, tecnologia na economia real, empregos para a próxima geração e transição energética como fonte de competitividade. Esses eixos dialogam diretamente com desafios atuais da economia global, como protecionismo, modernização industrial, transformação do trabalho e desenvolvimento verde.
O editorial sustenta que os temas escolhidos refletem a tentativa de responder ao unilateralismo e às barreiras comerciais, ao mesmo tempo em que destacam os novos motores do desenvolvimento chinês de alta qualidade. A inovação aparece, nesse contexto, como instrumento para modernizar a indústria, impulsionar a economia real e reforçar a transição para modelos de baixo carbono.
O texto também associa o otimismo internacional em relação à China não apenas à sua capacidade tecnológica, mas ao compromisso do país com a abertura econômica. Um dia antes da abertura do Fórum Econômico Mundial de Verão, Pequim recebeu a quarta edição da Exposição Internacional da Cadeia de Suprimentos da China, a CISCE, com mais de 1.200 expositores de 85 países, regiões e organizações internacionais.
De acordo com o editorial, empresas com investimento estrangeiro representaram mais de 36% dos expositores da CISCE. A edição deste ano também destacou aplicações de robótica e inteligência artificial, com robôs inteligentes atuando como voluntários, guias e anfitriões, além da criação de uma área específica de exposição de IA pela primeira vez.
Para o Global Times, a presença expressiva de empresas internacionais demonstra que o setor produtivo global não foi afastado pelo discurso político em torno da “desvinculação” e das interrupções nas cadeias de suprimentos. O editorial argumenta que as companhias continuam atraídas por cadeias produtivas consideradas confiáveis, possibilidades de cooperação de longo prazo e oportunidades de inovação compartilhada.
O texto critica ainda a postura de países que erguem barreiras comerciais e ampliam o uso político do conceito de segurança nacional em disputas econômicas e comerciais. Segundo o editorial, esse movimento aumenta o risco de fragmentação das cadeias industriais e de abastecimento globais.
Em contraste, a China é apresentada como defensora da ampliação da abertura institucional e de mercado por meio de plataformas como a Exposição Internacional de Importação da China, a Feira de Cantão e a CISCE. No dia da abertura da Exposição Internacional da Cadeia de Suprimentos da China, o país anunciou 15 medidas práticas para facilitar o acesso de investimentos estrangeiros e melhorar o ambiente de negócios.
A abertura chinesa, segundo o editorial, não seria apenas um gesto diplomático, mas um ambiente concreto para empresas estrangeiras identificarem oportunidades, entrarem no mercado, permanecerem e expandirem suas atividades. A combinação entre escala industrial, mercado interno e políticas de abertura é apresentada como um diferencial estratégico para a economia chinesa.
O Fórum Econômico Mundial também destacou, em seu site oficial, que a evolução do modelo de inovação da China deve influenciar o crescimento na Ásia e em outras regiões. A entidade afirmou que a busca chinesa por estabilidade e novas forças produtivas de qualidade está remodelando a base industrial do país e, por consequência, as cadeias internacionais de valor.
A mensagem central do Fórum Econômico Mundial de Verão, segundo o Global Times, é que a “China Inovadora” não se apresenta como uma ilha tecnológica isolada, mas como uma plataforma aberta à cooperação global. A modernização chinesa é descrita como um processo capaz de gerar benefícios não apenas para o país, mas também para parceiros internacionais interessados em desenvolvimento, inovação e integração produtiva.
Ao reunir representantes de diferentes setores e países em Dalian, o fórum reforçou o papel da China nas discussões sobre tecnologia, comércio, energia limpa e futuro do trabalho. Em um cenário global marcado por disputas geopolíticas e incertezas econômicas, o evento projetou a inovação em escala como uma das principais apostas chinesas para ampliar sua influência e aprofundar sua inserção nas cadeias globais de valor.

